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16 novembro 2011

Poema de hoje.

Tantos poemas escritos para musas
reais ou imaginarias, tantos versos
sacros ou malditos, as vezes ditados
da alma, outras, palavras pensadas.

Um dia, alguém que pensei me amar
amassou meu querer e o jogou fora
e descobri que se dar pode ser foda.
E a escrita já não teve mais lugar.

Outro alguém, um velho poema achou
jogado entre pó e esquecidas rosas.
Ensinou: "Não deixe uma ilusão amorosa
impedir seu coração viver o novo amor."



isso

25 julho 2009

Poemas do Baú IV


Meu amigo escolheu esse por ser "pornografico".


VOU TE ROUBAR

Vou te presentear minha religião
Dividir como irmãos, meu pecado
Dentro da tua boca, colado
Com teu salgado e gélido coração.

Dar meu suor e minha loucura
Ao centro de teu singular ventre
Moreno e assim eternizar-lo
Com minha língua tão afiada.

Roubarei o mel dos teus olhos
Ganharei teu diamante pequeno
Engolirei a saliva de tuas pernas
Tua entre-pernas pelada.
Uma concha peluda e macia.
Um véu preso aos lábios.

Vou me presentear teu sexo
Dividir como amantes, nosso pecado
Dentro de bocas, molhadas e coladas
No fogo de uma fugaz paixão.


isso.

Poemas do Baú III


esse foi escrito depois de uma discussão com um amigo. Ele queria me convencer da teoria dele, eu queria que cada um acreditasse no que quisesse e curtir a festa em paz.


Raro

Tentarão de tudo para te convencer,
Usando argumentos bem mirabolantes,
Trava-linguas fielmente encaixados
E quando tentes dar teu passo adiante
Descobre o teu mundo acabado e
O teu passado à por se esquecer

Por isso não te vendas, nem caro.
Pois um dia Um disse bem alto
E quando fala é só dentro de você.
Ninguém pode chegar bravo ditando
O que tem que ser a ordem do teu ser.
Igual que todos, somos Um, e raro.



isso.

Poemas do Baú II


Esse é um bem antigo. Engraçado como os poemas são atemporais. Ele poderia ser o que sinto hoje, como o que sentirei daqui a vinte anos.


Tua


Teu nome é apenas um nome
Entre tantos ventos que cantam,
Imagens que se apagam, e sonhos
Sumindo tão rápido como começam.

Tua voz é mais uma tom
Disfarçado entre muitos gritos,
Fumaça de tabaco e lágrimas
Secas caindo num fundo rio.

Teu beijo foi só um beijo?
Aquele abraço um toque de peitos?
Nossos sorrisos falsas verdades?

Teu nome como qualquer nome
Que um poeta faz de canção
Soa varias vezes na minha mente
Antiga, infantil e quase inocente.

Tua cor, já semi desbotada
Pela água de chuva e ausência
Do teu corpo colado ao meu
É uma lembrança que aprendi.


isso.

Poemas do Baú I


Um amigo meu disse que eu deveria postar alguns poemas antigos. Que dificil, pois são tantos e nunca sei qual escolher. "Escolhe 5 pra mim. O que não estiver postado, eu coloco." eu disse

Esse primeiro foi o último poema que fiz no ano de 2006. O escrevi após ser quase atropelado.


Segundo eterno.

Apenas um segundo é preciso. Só um.
Nesse segundo necessário podemos
Ver tantas coisas serem criadas. Num
Ínfimo segundo temos a ejaculação
Que vai mandar a semente ao óvulo.

No segundo que parece tão sem valor
Nos apaixonamos pela garota da esquina.
Menos que isso separa o vencedor do
Que perde todo seu dinheiro nos cavalos.

Num segundo que passa mais veloz que
O verso mal rimado de um poeta surdo,
Podemos decidir entre um sim ou não,
Sobre qualquer assunto, mesmo absurdo.

Um segundo é o tempo suficiente para
Uma vida de milhões de horas vazar
Pelo ralo sujo. O tempo que separa
Respirar ou estar no descanso eterno.

Pode ser o tempo que Deus nos concede
Para decidir entre céu ou inferno.
É o tempo que quem é esperado lhe pede
Para não perder algum outro segundo.
É muito mais do que faz falta para
Ter a carne dilacerada por um ferro.
Mas um segundo a espera de quem se ama
Transforma-se num cruel segundo eterno.


isso.

22 julho 2009

Parte


faz uns dias escrevi um poema de certa forma inspirado no maravilhoso poema "Metade" de Oswaldo Montenegro. (Eu acho que esse poema é do Pedro Bandeira, mas na net diz que é do Oswaldo)


Parte

Uma parte de mim é furia
e a outra é pura poesia.
Há a parte em mim que chora,
Outra que dança de alegria,
pois já não sou escravo
de um talvez, sequer vítima
de um amor mal interpretado.

Há a parte de mim que entende
e outra que é muito ignorante.
Uma parte que vive lembranças
enquanto a outra vai adiante,
já que não se pode conduzir
olhando atrás ou fechando olhos
ao caminho que devemos seguir.

Uma parte de mim é comédia
e a outra é "Romeu e Julieta".
Como tem a parte que sabe tudo
enquanto outra nada em incerteza.
Que Deus salve essa ambiguidade
Porque parte de mim é Amor
e é também Amor a outra parte.



isso.

28 maio 2009

Seu @ú

Outro dia uma amiga olhava meus poemas e riu muito quando achou uma antiga letra que jamais consegui colocar a melodia. Então expliquei o motivo do nome.
Faz uns três anos estava andando de bicicleta pelo bairro semi-rural onde vivo, quando minha passageira falou a seguinte frase: "Se o cavalo não tivesse rabo, o cú dele seria obsceno."
Achei maravilhosa a sonoridade da frase e o que ela dizia. "Isso que você disse. Mostra como Deus é perfeito nas suas criações." E ficamos filosofando sobre (enquanto eu pedalava). Quando cheguei em casa, escrevi a seguinte canção (ainda sem melodia):


Seu cú

Se o cavalo não tivesse rabo
O seu cú seria obsceno
E se o zero fosse mais quadrado
Quem sabe o resultado do co-seno?
Se o motor não é acelerado
Nunca chega
Quando chega tem demora.
Talvez um dia o meu nome exploda
E eu me torne
Mais um babaca na historia

E se eu vejo o sol nascer num quadro
Entre gerânios, espadas e serpentes
Eu fecho os olhos, choro e agradeço
Pois nunca sabemos o que há em frente

E se no bolso não levo dinheiro
Trago nos olhos minha felicidade
Eu sou artista, pobre e brasileiro
Levo na carteira a identidade.

Se não elevassem o que se fala à serio
A palavra não seria obscena
E se o Um fosse a medida
Exato resultado resolvendo meu problema
Se é pastor ou se é vira-lata
Não adianta, vai chegar a sua hora
Seja humilde no punho ou na faca
E lembre sempre
Do bom lado da historia.




isso.

24 maio 2009

Luz

Hoje pela tarde acabou a luz no meu bairro.
Fiz um breve poema enquanto a tarde caia e tudo escurecia.



Acabou a luz.
Posso ver a estrela aguda lá no alto
e o prata da lua queimando o asfalto.
Só faltava brilhar no meu peito
seu olhar que é mistério.

Acabou a luz.
No escuro se escuta o grito da alma
e matamos mosquitos batendo palmas.
Só faltava guardar o meu sonho
onde escondes o que é seu.

E voltou a luz.
É a salva de amor pela eletricidade
vou te dar meu calor até já ser tarde.
Só faltava eu ter a certeza
de saber quem eu sou.



isso.

03 maio 2009

Impulso


Jamais soube ou saberei se é virtude, defeito ou caracteristica, mas sou um impulsivo.
Por mais que as pessoas me digam e avisem para ser só mais um pouco comedido, não, tenho que funcionar como fogos de artificio. E em lugar de ter paciência para esperar e ver as coisas acontecerem gradativamente eu acelero o processo.
Muitas das vezes que fui impulsivo, acabei colhendo frutos, mas nem sempre foram os desejados.
Mas se tem uma coisa que me não consigo não fazer é seguir meu coração. Sendo ele uma bomba impulsiva acabo sendo eu também.

Nesses últimos dias fiz duas coisas no impulso do meu coração e da minha intuição. Uma está dando muito certo. Espero que a outra siga o mesmo caminho.
Isso de ser impulsivo lembra um poema que escrevi uma vez num bar lá no Leblon. Estava rolando um encontro com poetas declamando suas poesias. Peguei a caneta do garçom emprestada e escrevi no papel da mesa que rasguei ao final.



Garota do Lebão

Quero ter o prazer de rasgar
Os preconceitos, os olhares que
Inquerem os movimentos nascentes
De um impulso infantil. Meus
Tenros desejos de criança.

Quero gozar a sensação do papel
Sendo chicoteado pela caneta
Do garçom anti-poético, e
Respeitar quem não ama
O aplauso do sádico público.

Quero usar chinelo entre loucos
Disfarçados de intelectualizados
E chegar onde queira com meu
Jeito moleque, suburbano e
Pseudo-desinteressado.

Quero brilhar num céu de
Estrelas de explosões poéticas,
Mas humildes. E servir ao
Dom de ser eu mesmo. Ainda
Que me aconselhem o avesso.



isso.

10 abril 2009

Mini Poem

Inalcançavel.

Se é pra pensar nela, penso olhando nuvens
Brancas, fofas e de inalcançável beleza.
Penso que ela é como a água lá no céu
Que vai juntando suas gotas com leveza
Até formar nuvens frondosas e densas
Para chover na minha horta, hoje seca.



isso.

11 março 2009

Poemas do Baú.

Reencontrei uma amiga que fez-me recordar alguns poemas antigos.
Quando leu o "Alinda", faz uns dois anos, achou que tivesse sido escrito para ela. Mas fora escrito para outra amiga que já não vejo faz muito tempo. Isso me fez pensar que a arte está mais no espectador que no artista.
O que seria de um quadro sem ninguém para olhar? Ou um filme para uma pláteia ausente?


Alinda

Hoje conheci em ti outro sorriso.
Outro pedido de amor e carinho
no meio da grande multidão.
Vi teu rosto infantil tão sozinho
e aquela estrela no teu peito liso.

Hoje vi você pequena e linda.
Te admirei num intimo silêncio
Quando eras grande e poderosa
E senti uma lágrima lá dentro
Que pedia para sair.

Quis beijar teus olhos cansados
Cantar uma canção a teus olhos
apertas entre meus carentes braços
Te corpo de anjo iluminado.


###################


o proximo poema foi escrito a muuuuito tempo. Nos primordios da minha intenção literaria. Coloco aqui em homenagem aos velhos e novos tempos.

Só escrevo.

Inconsciência passageira,
por agora, desprendo-me de mim
para dar vida ao crente poeta.
O personagem que ama as musas
imaginarias.
Que toca corpos invisíveis,
que beija bocas que não estão.
Perco-me em fantasias mil,
com o único de viver a magia
de um amor inexistente.

Caio no mais obscuro
do meu próprio abismo.
Dito a caneta palavras
que não são minhas,
sou um farsante que rouba
minhas intimas anotações
fazendo-as letras vulgares
no sujo papel.

Se pudesse por
aqui essas emoções
que não sei medir em frases,
Não saberia se quem lesse
minha prosa choraria
ou morerria de tédio.


Mas escrevo,
longe do que sou,
sem consciência do que não sou,
rodeando a mentira,
gritando minha verdade.

Sem pensar,
sem ser eu,
sem ser poeta,
sem ter nada a dizer.
Só escrevo.



isso

15 fevereiro 2009

Se eu soubesse

Tem um poema que escrevi faz uns anos. Lembro que foi escrito num intervalo dos ensaios da paixão de Cristo, onde eu era o apóstolo João. Foi um espetáculo maravilhoso que aconteceu em Nova Iguaçu. Lembro que o ator que era Jesus carregou uma cruz de trinta quilos morro acima. Até o Morro do Cruzeiro. Com o povo todo atrás, seguindo.



Se eu soubesse como usar as palavras
Não tentaria eu ser apenas o poeta,
Seria um padre, juiz ou deputado
Pois o poeta não domina as palavras
Mas é por elas um mero domado.

Se tivesse aprendido manipular letras
Montando uma a uma formando sentenças,
Frutos diretos de minha torta cabeça,
Tentaria sempre ter a frase perfeita
Ao responder à tocaia perguntada.

Se me fosse dado essa simples ação
De ter tudo o que deve ser dito
Preso entre dedos na palma da mão
Não diriam que componho algo maldito
E sim que contesto desde meu coração.


isso.

22 janeiro 2009

Primeiro poema


Qual foi meu primeiro poema?
Eu não era assim tão jovem quando o escrevi, teria meus 19 anos quando meu primeiro poema saiu da ponta de uma caneta.
Ah! Agora lembro, os meus primeiros poemas foram os que escrevi no BLOCO BRANCO, um bloco sem pauta que comprei em Portugal para escrever a carta que seria enterrada com meu pai.
Lembro que quando estava no trem Madrid-Lisboa um amigo da escola de teatro me ligou e disse: "Danton, no hay nada que yo pueda decirte en una situación como esta. Solo una cosa que me ayudó mucho cuando perdi a mi padre: escribe." Agradeci o conselho.
Depois de escrever a carta ao meu finado pai, - lembro como se fosse ontem, eu sentado num bar bebendo guanará, escrevendo a carta, chorando sobre ela e as pessoas me olhando - fui andando sem rumo pela cidade de Lisboa. Subi ao ponto mais alto da cidade, um antigo castelo na cume de um morro (Castelo de São Jorge, meu santo protetor) e lá, no meu recente bloco, decidi que seria escritor, nele pus um texto invocando criatividade e talento para minha missão. Arranquei aquela folha do bloco, queimei e joguei-a ao vento ardendo. Queimou inteira com a cidade portuguesa como pano de fundo.

Durante meses escrevi naquele bloco, até que terminasse. Não colocava as ideias em verso, escrevia como se fosse prosa. Muitas folhas escritas depois que eu fui descobrir que aqueles escritos eram poesias com ritmo, rimas e metaforas, mas disfarçadas de prosa. Eu já trovava sem saber.
Talvez meu primeiro poema tenha sido a carta que escrevi a meu pai.



isso.

14 janeiro 2009

Poemas

Aqui vão dois poemas que escrevi ontem a noite. Como um pai orgulhoso de seus filhos, os apresento aqui:


Sexo Poético

Hoje vou fazer amor com as letras
já que nem senti seu cheiro
beijei-lhe a boca ou chupei-lhe as tetas.
Fiquei assim, sem ser inteiro.

Hoje vou trepar com essas frases
já que na boca há um sem sabor
e ainda antes que o poema acabe
possa eu encontrar na poesia amor.

Hoje gozarei feliz numa metafora
já que a noite é quente e infinita
e minha deusa fria me joga fora
ao mesmo tempo que me atiça.




POEMA MUDO

Escreverei um poema mudo
para tentar expressar de um pouco
sobre esse mim que é tudo.
Vou me libertar desse calabouço
no qual descansava meu braço
surdo, me atirar nos seios dela,
a literatura, que me premia
com suas ideias, seus sussuros.

Desejar e seduzir-me com silêncios,
desenvenenar-me de maus ditos
e ser quem eu sou, bem autêntico.
Agradecer os mais bem vistos
isolemos o que não queremos
lembremos sempre que nos amemos
e se o bagulho, mermão, tá sinistro
faz com Deus um fiel compromisso.



Isso.

07 janeiro 2009

Primeiro de 2009


Quando eu fito o horizonte
Lá tão distante, entre as nuvens
E castelos de concreto e metal,
Lembro de tantos amigos e amores
Que ficaram guardados nas gavetas
Da lembrança.
Lembro dos rostos,
Nomes e sabores, amargos e doces.

Quando penso em mais um ano
Ficando na memória, mais historias
Para serem contadas para outras
Almas que um dia conhecerei
Noutras estradas que essa vida
Ainda construirá, lembro feliz
De outras vezes que os fogos
Gritaram no céu e eu pensei
Num futuro que agora eu vivo.

Quando guardo essa lágrima
Dentro do meu oculto sentimento,
Fingindo ser um cara forte,
Aquele a quem nada jamais afeta,
Lembro dos meus filhos e mães
Que povoaram minha vida e hoje
Povoam minhas lembranças e sonhos.

E os fogos explodem entre estrelas
Como a cada réveillon, e eu desejo
No topo de uma sábia arvore
Um futuro que sei que encontrarei
Na próxima esquina do eterno.
Obrigado Deus, por realizar meus
Desejos no teu próprio tempo
Na minha própia, e única, vida.
isso.

15 novembro 2008

Dez dias


Faz exatos dez dias que não escrevo nada aqui no meu diário do cyberspaço.
Nesses dez dias aconteceram tantas reviravoltas no meu cotididano, muitas coisas que vi e senti das quais gostaria de relatar, mas por falta de uma maquina pessoal acabaram ficando na memória apenas ou em algum dos meus cadernos ( tem um pra sonhos, um pra pensamentos e um para o "muito eu")...
Como nesse exato momento não tenho aquela explosão literaria acontecendo dentro de mim, e nem sei por qual parte poderia começar a contar as coisas que me acontecem agora. Vou postar um poema.. quem sabe mais tarde esteja mais apto a escrever...

Eu gosto sempre de lembrar quando vou apresentar essse poema que o fiz sentado ao lado da estátua de Carlos Drummond de Andrade, que existe em Copacabana. E que no momento que comecei a escreve-lo, dois carros bateram bem na minha frente (batidinha leve básica, mas batida)


Cabeças

Bateu agora nessa cabeça
De cabeça para baixo
Uma vontade de escrever.
Talvez com alguma rima,
Ou melhor vou sem rimar.
Aprendendo com o vasto mundo
Pra encontrar o meu Raimundo,
Entre o crack de dois carros
Que chocam, ou duas bocas.
No estalo de um isqueiro
Acendendo todo teu paiol.
Com o movimento de uns dedos
Entre o mistério de suas pernas
Para que você perca a cabeça.

Bateu agora nessa cabeça
A de cima e a de baixo
Uma loucura de te encontrar.
Talvez com algum medo,
Ou melhor vou sem temer
Procurando na nossa cidade
Um caminho para a felicidade
Entre o ruído de duas línguas
Que molham, ou dois corpos.
Na ignição de um ventre
Acelerando toda minha maquina
Com movimentos dos olhares
Nos revelando ou escondendo
Enquanto perdemos nossas cabeças.



isso

03 novembro 2008

Itália

Postando um poema que foi escrito pra uma cachorra linda que eu tive.
Já que uma amiga comentou e pediu que eu postasse essa poema aqui.


Itália.

Julguei perdido meu atrativo.
Julguei leviano teu desespero.
O amor é um cavalo caindo
Num despenhadeiro.

Mordi sem força teu dedo esquivo.
Caí de boca num pulo amigo.
Cresci no dente e no abraço.
Tá de graça? Der mole eu traço.

Viajei sumido no meu mal-trato.
Viajei sem graça tua ambição.
O amor é um rio que acende
Levando-nos no seu arrastão.

23 outubro 2008

Other poem

Aqui vai um poema que escrevi uns dias antes de vir morar em Brasilia.


Dono da montanha.

Se eles mandam nas montanhas
por que não me dão um monte
de palavras que renascidas
se alimentam de horizontes?

Se eles mandam nos castelos
por que não me dão um legado?
Irei lavar-me em outros caminhos
bem mais planos, sem espinhos,
e seguir menos carregado
de nós secos e engasgados.

Se me dessem só um monte
que cabesse apenas uma curva,
a casa branca e telhados amplos
para nos proteger da chuva.

Se eles têm todo o capital
por que não compram o meu corpo
pra servir como um animal
de carga, carregando no dorso
a nação com toda a calma?
Se o pai quer me ver seguro
que proteja a minha alma
escondida aqui nesse sussuro.


isso

19 outubro 2008

Poema

Quero

Quero a flor de teu seio queimado

A saliva de sal de tua boca selvagem

Teu hálito suave na minha orelha

E teu ventre moreno todo suado.

Quero a flor de teu segredo inocente

A força das tuas bravas pernas-miragem

Teus dentes tímidos na minha veia

E tua fruta arisca ardendo de quente.

Não ficas. Mas me matas.

Não falas. Mas me acaricias.

Não gemes. Mas me sentes.

Quero a flor do teu beijo medroso

A paixão das tuas unhas afiadas

Teu coração latindo no meu peito

E nossos corpos num amor gostoso.

13 outubro 2008

Outro Poema

Segundo eterno.

Apenas um segundo é preciso. Só um.

Nesse segundo necessário podemos

Ver tantas coisas serem criadas. Num

Ínfimo segundo temos a ejaculação

Que vai mandar a semente ao óvulo.

No segundo que parece tão sem valor

Nos apaixonamos pela garota da esquina.

Menos que isso separa o vencedor do

Que perde todo seu dinheiro nos cavalos.

Num segundo que passa mais veliz que

O verso mal rimado de um poeta surdo,

Podemos decidir entre um sim ou não,

Sobre qualquer assunto, mesmo absurdo.

Um segundo é o tempo suficiente para

Uma vida de milhões de horas vazar

Pelo ralo sujo. O tempo que separa

Respirar ou estar no descanso eterno.

Pode ser o tempo que Deus nos concede

Para decidir entre céu ou inferno.

É o tempo que quem é esperado lhe pede

Para não perder algum outro segundo.

É muito mais do que falta para

Ter a carne dilacerada por um ferro.

Mas um segundo a espera de quem se ama

Transforma-se num cruel segundo eterno.