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12 agosto 2010

Teatro dos Fantasmas




Estivemos durante uma semana na cidade de Ouro Preto gravando "Por Acaso Ouro Preto", um filme de ficção que conta a historia de um grupo de teatro que vai por engano para a cidade de Ouro Preto e vive uma série de divertidas e misteriosas aventuras.

Éramos um grupo de mais de 15. Muitas ladeiras, e uma absurda meta de gravar 12 minutos de material por dia. (parece pouco, mas na velocidade normal do cinema, grava-se 1 minuto de material bom a cada 3 horas de set)

"Roda Luz, som, camera... cena alguma coisa, take vá saber, Ação..."
Foi o que mais estive repetindo durante essa semana que passou. Onde produzi, dirigi, escrevi, atuei, suei e chorei meu primeiro filme.
A locação era um privilégio, os dias foram abençoados com Sol e ótima luz...

Precisaria de muitos parágrafos para relatar a emoção de dirigir um filme com um elenco grande, recursos curtos e empenho mil de parte dos que participam.

Mas pra mim, o ápice foi a ultima cena que gravamos durante toda a madrugada dentro do Teatro de Ouro Preto. Um construção de 1770 a nossa disposição. Só quem estava ali sabe.

Uma semana não foi nada perto do tempo que precisávamos.

Fazer cinema me fez compreender melhor essa coisa do espaço-tempo... onde 3 horas pode acabar sendo menos que 1 minuto.



isso.

11 julho 2010

O Mistério de Ouro Preto




Estou em Ouro Preto.
Pensei que jamais sentiria essa sensação de me transportar para séculos atrás estando no Brasil.
Estou aqui para a pré-produção do meu primeiro longa-metragem, e explodindo de felicidade ao ver que teremos locações maravilhosas para nossa história de mistério.
Passei o dia subindo e descendo ladeiras, fotografando, imaginando cenas, descobrindo como poderá ser nosso filme... e estou descobrindo que será maravilhoso.

E mais uma cidade para minha lista de Cidades Conhecidas, que fazia tempo não era alimentada.

isso.

27 junho 2010

Mão de Jimmy Page



Como já comentei, vivo no meio da selva.
Para chegar na "civilização" preciso andar quilometros (Fiz a conta outro dias, ida e volta dá quilometros).
Apesar de ter pouca grana, vivo num dos metros quadrados mais caros do Rio. E quando preciso comprar as coisas domesticas, preciso ir ao Leblon, pois aqui na minha pequena vila não existem mercados e essas coisas do mundo civilizado.
Precisei de viveres cotidianos, me preparei para missão... no último minuto, eu quase desistindo da excursão ao mundo exterior, minha mulher resolve me acompanhar. Começa a se arrumar. "Quero mudar um pouco meu dia. Vou me arrumar para irmos ao mercado" e começa a se vestir, maquiar, provar roupas... eu, em pró da boa convivência não contrariei. Terminou e descemos nosso caminho admirando a Lua sobre as aguas do mar. A cidade lá embaixo brilhando. Descemos, paramos numa banca de jornal. Olhamos revistas.
continuando andando vejo na minha frente, saindo de um restaurante, Jimmy Page. Um senhor com cabelos totalmente branco, que eu só sabia que era o Jimi Page, porque algumas horas antes lera uma noticia sobre ele.
Parei na calçada de frente pra ele que olhava pra rua, disse bem alto: " Jimmy Page!", minha mulher parou sem entender, ele se virou para mim com um sorriso. "Man. Thank you for exist. I love your job.I love you. " - "Thanks." respondeu. E apertei sua mão.
EU APERTEI A MÃO DE JIMMY PAGE!!!
Sai gritando feliz pela rua: "Apertei a mão do Jimmy Page!!" Realmente muito emocionado com isso. Minha mulher perguntava "Quem é Jimmy Page?", não pude conter o riso: "é o maior guitarrista do mundo, meu amor." continuei pulando e andado, estava muito emocionado.
"Mas esse Jimmy Page é de qual banda?" - "É o cara do Led Zeppelin." - "O que? Aaaa. Eu vi o cara do Led Zeppelin." Ela começou a gritar.

Logo, fomos fazer nossas compras domesticas.

isso.

09 abril 2010

Realmente Vivo na Selva

As chuvas que caíram e continuam no Rio essa semana já são conhecidas.

Para mim foi uma verdadeira aventura. Subindo para casa enfrentei escadas que mais pareciam cachoeiras. Parei alguns minutos num bar, olhei um programa de celebridades que falavam de uma loira peituda que ganhou um programa de fazenda. Conversei, sobre o tempo, com o solitário dono do bar. Como senti que não pararia, resolvi subir.

Cachoeira acima, muita água mesmo, batendo no joelho, quando cheguei na etapa final, um descampado, o vento quebrou meu guarda-chuva. Com o encharcado que já estava um pouco mais não importaria. E vejo uns 15 metros à frente uma árvore do meu quintal caindo no caminho. "Ih, caralho!"

Como já estava caída com seus galhos fechando passagem pela escada, imaginei que não iria re-cair. Mas mesmo assim preferi dar a volta pelo meio do mato.

Pela noite não dormi com o barulho do vendo nos galhos. Imaginando que poderia cair algum encima da minha cabana moderna no meio da selva.



isso.

11 novembro 2009

A casa iluminada


A casa iluminada.


Ontem houve um grande apagão que afetou mais de dez estados brasileiros, entre eles o que vivo agora, Rio de Janeiro.

Mas devo explicar tudo dentro do contexto que foi minha noite.

Cheguei à casa depois de mais um dia laboral. Alimentei minhas gatas, tomei um banho gelado, coloquei minha camisa branca de São Jorge e fui para Lan House me dedicar as minhas internetices.
Assim que entrei na Lan me assustei, como dentro da loja tem uma luz negra, eu parecia um abajur de São Jorge.

"Eita, tô brilhando!" foi o único que consegui dizer quando todos olharam como se eu fosse uma lua cheia.

Sentei e assim que loguei apagou-se tudo. "É, vou pra casa ler um livro."
No completamente escuro caminho, já que mesmo se o céu estivesse limpo a Lua estava minguante, eu pensava no que seria da humanidade se de repente toda luz eletrica deixasse de existir e que provavelmente as almas humanas voltariam-se para sentimentos sombríos. Tinha que caminhar com cuidado, já que a escuridão só era interrompida pelos farois de alguns carros.

Quando cheguei em frente da minha casa tomei um susto. Tinha luz. Uma tenue luz brilhava na lampada da minha varanda.
"Será que houve um curto na minha casa e eu tirei a luz do bairro todo?" foi meu primeiro pensamento.
Fiquei com receio de entrar, mas entrei. A casa fazia um som de energia eletrica. Desliguei os aparelhos da tomada. Fui ao muro perguntar para minha vizinha se havia luz fraca na casa dela. "Não" foi a resposta. Subi ao meu terraço e olhei para todas as casas em volta. Só eu tinha luz, tudo no mais completo breu.

Escolhi tomar esse acontecimento como uma analogia a um futuro imaginario, onde o mundo cairá em trevas enquanto eu terei luz, mesmo que fraca.



isso.

28 julho 2009

Ladrão de Livros


Meu amor pela literatura começou quando eu estava na primeira serie (que hoje chamam segundo ano). Na biblioteca do colegio onde eu estudava haviam livros da coleção Vaga-Lume, acredito que quase todo mundo conheça, e o primeiro deles que eu li foi "O misterio da ilha" ou "Ilha perdida", não lembro o nome exato.

Então descobri que podia pegar os livros emprestados para ler em casa. E quando fui todo feliz com um livro na mão a bibliotecaria me diz:
"Você não pode levar esse livro. Não é da tua serie."
"Mas eu gosto das historias desses livros."
"Não é da sua serie. É pro ginasio. Os do primario estão naquela estante ali."
"Mas eu não gosto."
"Não tem que gostar de nada. Coloca esse livro onde você achou. Se quiser pega da estante que eu te disse. e rapido que já está na hora de fechar."

Eu tenho uma caracteristica que ja me ajudou e prejudicou muitas vezes. Não tenho respeito nenhum pela autoridade, seja ela qual for. Quando fui colocar o livro de volta na estante, olhei pra velha opressora, ela não me dava atenção. E vapt, livro pra debaixo da camisa. Ali eu me tornei um ladrão de livros.
Cheguei a roubar mais alguns livros naquela escola, até que um dia a bibliotecaria me pegou e alê, coordenação.

"Você tentou roubar o livro da biblioteca Danton?"
"Ela não deixa eu ler os livros que eu gosto."
"Mas esses livros não são pra sua idade. Você tem que ler os livros que a gente manda. E nada justifica você roubar. A partir de hoje você está proibido de entrar na biblioteca do colegio."

Será que foi a proibição que me fez tomar gosto?

Isso me lembra outra historia que fez com que meu responsavel viesse a escola para resolver.
Uma vez a professor fez a seguinte pergunta: "Quando está chuvendo. O sol está no céu?" Minha resposta foi "Sim"... Mas a professora acreditava o contrario. Ela teimava que Não e eu dizia que Sim. "Você vê o Sol quando está chuvendo?" - "Não. Mas eu sei que ele tá lá." - "Quem é a professora aqui?" - "Você, mas você é burra. Tinha que voltar pra escola pra aprender." Nem preciso dizer o que isso causou numa sala de CA (atual primeio ano).


isso.

09 julho 2009

Peito alvejado


Em São Paulo moradores de uma favela (gostaria de comentar sobre o termo "favela" algum dia) cercaram duas motos policiais e tiraram na marra a chave da mão de um dos policiais.

Ousadia?

Minutos antes esses mesmos policiais entraram na rua atrás de um motoqueiro, largando o dedo indiscriminadamente, acertando assim o peito de Tainá, uma menina de 8 anos que estava na porta de sua casa.

Todos gritavam por justiça. Reforços foram chamados para resgatar os policiais infanticidas do meio da multidão revoltada. Alguns oficiais tiveram suas fardas rasgadas. A imprenssa como mosca na merda fresca. E depois de algumas horas e muito grito devolveram a chave.
Os culpados provavelmente não serão punidos por esse crime. A menina, morta.

me levou a pensar o seguinte:
Porque precisamos esperar o peito de uma Tainá ser alvejado para nos revoltar contra a autoridade que nos oprime?


isso.

10 junho 2009

Míro morreu.




Míro morreu na última madrugada.
Deitado na grama, ao relento, seu corpo sucumbiu a madrugada gelada.
Se eu sentia frío no meu colhão com lençol e teto, ele já não sentia nada, pois por fim livrara-se da carne.

Míro era um pessoa a quem eu dava bom dia quase todas manhãs. Um miserável agregado da mãe de um amigo onde eu me agrego em alguns almoços durante a semana.
A única alegria desse homem, se é que ainda tinha alegria, era beber cachaça.
Na última manhã vivo de Míro ele fedia tanto como se já estivesse morto. Sujo, cagado, bêbado, moribundo.
"Ai meu Deus! Esse Míro fedido desse jeito aqui em casa. Vai acabar morrendo ali sentado." Pelo cheiro que exalava, Míro foi convidado a se retirar. "Toma um real pra beber um pinga Míro." alguém disse para conseguir tira-lo da casa.

Foi a última vez que o viram vivo. No manhã de hoje o encontraram num terreno escondido atrás de um bar. O lugar onde mais gostava de estar.

Posso dizer que me alegro por Míro. Agora ele descança. Já não treme da cabeça aos pés por não ingerir alcool. Já não perambula pedindo centavos para poder beber e fumar. A carne que tanto machucou Míro já não lhe pesa.


isso.

20 maio 2009

Shock


Hoje me aconteceu algo no mínimo curioso.

Estava sentando num banco esperando o tempo passar. Ao meu lado tinha uma senhora com a qual eu conversava a diferença entre homens e mulheres na hora de fazerem compras. Ela puxou o tema, eu segui.
Veio um rapaz passando um fio bem grosso, grosso como seus modos, já que o fio bateu em mim e ele fingiu não ver.

Continuei conversando com a senhora mais um pouco. De repente. Do nada eu resolvi levantar, não tinha motivo nenhum para fazer isso. Quem eu esperava não tinha chegado, não pensava ver nada no comércio. Simplesmente levantei. Quando dei o segundo passo escutei aquele som tão caracteristico de curto-circuito. Olhei para trás e justo no lugar que eu estava sentado, onde estava meu pé, o fio pegava fogo.
A senhora se queimou com umas faiscas. Mas foi mais o susto.
Eu fiquei pensando nesse meu "instinto aranha" que já me livrou de outras situações, e não foram poucas vezes.


isso.

18 maio 2009

Bom dia surpresas.


Ontem cheguei em casa depois de alguns dias fora.
Não sei direito o que aconteceu, foram uma sucessão de festas que não existiam e de repente surgiram, e eu tendo que ir a todas quando o meu maior desejo era ficar em casa para organizar minha vida para a semana seguinte.
Organizar vida?
Que nada. Viva Dionísio!

Acordei hoje pela manhã quando o dia ainda se esticava para tomar o lugar da noite. Coloquei roupa para lavar, cuidei dos animais, toquei uma viola matinal...
"Danton?"
"Quem será às 7:30?" pensei.
Era a irmã da minha mãe, e suas filhas. Uma já adolescente e outra com alguns meses de vida. Peguei logo a bebê no colo. Adoro bebês.
Trocamos meia duzia de palavras...
"Danton. Vou morar nesse quarto que tem vazio aqui, tá?" minha tia lançou.
"Eh... tá."

Tenho que fazer um pequeno parentesis.
Desde bem jovem eu sempre fui um pouco arisco com essa tia. Ela é mal-educada, só fala gritando, é incoveniente e adora fazer brincadeiras sem a menor graça. Só por esses e mais alguns motivos eu sempre evitei-a. Ter ela morando na mesma casa que eu não é uma ideia motivadora, mas se colocaram esse desafio na minha vida, devo levar da melhor forma possivel.

Logo depois dessa noticia meu sócio chegou para sairmos à guerra nossa de cada dia. Enquanto conversavamos o que fariamos ao longo do dia ele recebeu um telefonema. Alguém morreu. Mudança de planos, não sairiamos mais.

O mais divertido é que essa Segunda estava planejada desde Sexta

Ao menos usei o dia para organizar a semana que chega.


isso.

12 maio 2009

Shakespeare, Beethoven, Da Vinci e Jesus Cristo



Hoje acordei com o humor bastante alterado.
Três minutos antes de soar o despertador abri os olhos. Jamais entendi isso que acontece comigo, sempre acordo três minutos antes do despertador. De forma natural. Sem despertador também funciona, já houve vezes que precisei acordar determinada hora e não tinha despertador. Pensava intensamente no ato de acordar na hora desejada, na mosca. Acordo. A cabeça é algo muito curioso... mas voltando ao meu humor.

Sabe aqueles dias que se levanta querendo socar? Nessa energia estava eu pela manhã. Fiquei olhando o céu pela janela, esperei o despertador tocar, desliguei-o e levantei. Quando acendi a luz da cozinha. Pufff, queimou. "Melhor eu respirar mais fundo." Fiz a barba na água quente e fui pra escola.
Diria-se que, estando de mal-humor, enfrentar várias turmas de crianças contemporâneas seria suicidio. Que nada. Me divertiu e relaxou estar com as crianças.
Voltando para casa sinto aquele mal-humor (veja que coloco MAL, com L). Claro, o maldito cigarro. Estou alguns dias sem fumar, é incrivel a altereção de humor que o tabaco pode causar nas pessoas.
Dane-se o cigarro. Fiz meu almoço, comi. Peguei a viola e comecei a pensar na ideia que tive na noite anterior.

Ontem lia alguma coisa em algum lugar da internet, dizendo que Shakespeare é o autor dominio público mais baixado da rede. Pensei que o bardo jamais vira nada tecnologico, e mesmo assim está em milhões de lares do mundo todo... desse embolado de pensamentos surgiu a seguinte canção:


Shakespeare, Beethoven, Da Vinci e Jesus Cristo.

Shakespeare jamais sentiu
o rugido de um motor.
Assim é mais fácil falar
dos misterios do amor.

Beethoven jamais ouviu
um som no computador.
Assim é mais fácil escutar
o que a alma quer compor.

Enquanto uns choram, outros vão e comemoram.
O meu pensamento não é como o seu.
Diga sim a vida, por mais que dificil,
Siga teu sonho, acredite em Deus.
Nunca se esqueça, se faz a cabeça.
A cabeça foi feita para pensar.
Da maçã o gosto, o vício, o poço.
Jamais se entregue antes de lutar.

Da Vinci quem sabe viu
no céu um disco voador.
E logo foi lá desenhar
O que o ET lhe contou.

Jesus Cristo não morreu,
vive em cada coração
Que crê no que ele ensinou
sua menssagem de amor.




isso.

08 maio 2009

Macabra sorte


Estava com um amigo numa lotérica.
"Quer ficar milhonario?"
"Eu não vou usar minha sorte nesse tipo de jogo." respondi.
"Já te contei a historia do meu avô?" perguntei então.
Disse que não, contei-lhe a seguinte historia:

Meu avô era um homem muito culto e viajado. Esteve na Italia na Segunda Guerra e tantas outras mil historias que viveu. Aposentado, era um homem que religiosamente jogava na loteria para tentar a sorte grande. Fazia estatisticas e probabilidades dos números que poderiam sair. Lembro quando criança que ele pedia para preencher uns números naqueles cadernos quadriculados. E por isso me presenteava com algum agrado.
Numa manhã, quando tinha 72 anos de idade, estava em casa escutando os resultados da loteria. Conferiu o comprovante em sua mão. Ganhou na Quina. Colocou o comprovante no bolso e saiu apressadamente. Dentro do seu quintal, a bainha de sua calça agarrou-se num motor velho fazendo meu avô despencar nos seus mais de noventa quilos e bater a testa numa muretinha. Também quebrou a primeira e segunda vertebra, ficando tetraplégico.
Graças ao valor considerável do prêmio minha mãe pôde contratar os melhores médicos para operarem meu avô. Que diziam que ele tinha pouquissima chance de sobreviver àquele tipo de operação, se o fizesse, não moveria mais o corpo. Sobreviveu. Tratamentos, fisioterapia diária. Um ano depois já dava alguns passos. Tenho nítida na memoria a imagem do meu avô andando como se fosse um bebê gigante (usava fraldas). "Olha o robô. Olha o robô." Dizia enquanto caminhava e ria.
Morreu alguns meses depois.



isso.

05 maio 2009

Um dia perfeito.


Hoje, melhor dito, ontem, já que bate no relógio 00:27 foi e é um dia perfeito.
O conjunto de elementos muito importantes na vida de uma pessoa foram realizados hoje para mim, vários juntos condensados num mesmo dia. Como um milagre, ou um filme.

Começou seis da manhã. Aquele frio matinal que só seis da manhã tem. Para fazer a barba, água aquecida no fogão. Fui para o meu primeiro dia de aula, não como aluno, mas professor. Fazia anos que não lecionava, e afortunadamente não tive tempo para montar a primeira aula. Mas domino o tema e sei lidar com crianças e adolescentes. Foi maravilhoso. Teve momentos duros. Nada como a inocência cruel das criancinhas, mas fazia parte da diversão. Amanhã repete a dose.

Chegando em casa. Algo realmente inusitado acontecia. Minha mãe cozinhando vários pratos com vigor e amor. Inusitado pelo fato de que ela detesta cozinhar. Esses momentos de inspiração são rarissimos. Posso contar nos dedos quantas vezes aconteceram. Normalmente aqui quem cozinha sou eu. Adoro fazer comida, e mesmo quando não quero fazer, gosto de fazer. "Quem vai fazer comida pra gente?" ela dizia quando eu fui viajar o Brasil ano passado.
Depois de comer dormimos juntos vendo vale a pena ver de novo. Coisa que a muito tempo não faziamos. Dormir juntos, não ver novela.

A tarde fui encontrar, com as mãos suadas, aquela que já é minha flor, meu amor.
Enquanto a esperava, vi uma grande amiga passeando com sua mãe. "Eu não podia te ver tão roxa sem te dar um abraço." - "Daaaaaaaaaanton, meu querido." Contei novidades, ela sinceramente se alegrou por mim. Beijei a mão de sua mãe. Um velha linda. "Eu lembro de você mas não lembro o seu nome." - "Pra que nome? Eu já fico feliz que a senhora lembre de mim. Não precisa nome." - "Olha menino, Deus vai te abençoar muito nessa vida." - "Com certeza Dona Nen, com certeza." E foram no seu passeio.

E a Flor chegou. Linda de doer os olhos. Um abraço, seu cheiro que me mata. E começamos a andar e conversar sobre tudo e nada. Subimos ao ponto mais alto da cidade para ver o pôr do Sol.
Lindo céu multicolorido. As luzes brilhando. A cidade com seu ruído lá embaixo. E ali, depois que o Sol deu tchau e a lua crescente já nos iluminava, demos nosso primeiro beijo.
A amo. Já a amava antes de prova-la. Impossivel não amar-la. Todos que a conhecem a amam. E agora com muita calma e paciência plantar essa semente de amor e esperar ser árvore frondosa.
Quando a deixei já haviam passado algumas horas desde que nos encontramos, para mim pareceram minutos. Mas Einstein tem uma teoria para isso.

Meu grande amigo me pegou com seu cavalo de rodas e fomos visitar uma possivel cliente. Hoje, ontem, completou uma semana que montamos nossa empresa. E nessa visita fechamos o nosso primeiro trabalho que já começamos amanhã. É o sinal de que muitos outros virão. A ideia funciona mesmo.

Cheguei em casa, tirei a roupa e parei para pensar em todo o dia que tive. Comecei a rir de felicidade. E chorei por viver um dia perfeito.


isso.

20 abril 2009

O dia em que a terra parou.


Vi um filme que gostei muito. "O dia em que a terra parou." Com o gato do Keanu Reeves (isso mesmo, gato. Ele, Pitt e Deep são os únicos que eu trato com esse carinho) e a inacreditável da Jennifer Connelly.
Um remake que conta a historia de um ET que vem a terra dar um importante recado aos lideres de todas as nações, por isso mesmo ele aterrissa com sua linda nave no Central Park em New York, já que nessa cidade se encontra a ONU.
Como bons norteamericanos, de Welcome dão um tiro no pobre alien assim que o rapaz sai da nave. Com a sabedoria de uma civilização ultra avançada ele impede que seu Robô de tecnologia inimaginável aniquile aos milhares de militares que rodeiam a nave. Vai pacificamente ao hospital militar e até o último momento tenta travar dialogo com o humanos. Vendo que na diplomacia a coisa não funciona, usa de seus poderes para escapar da base e então fazer o que veio fazer. Salvar a terra.
Eu não vi o original de 1959, dizem que é melhor. Mas gostei e aconselho esse filme, dá o que pensar depois.


isso.

18 abril 2009

O dia que reencontrei com Deus.


Sonhei com uma pessoa na qual não pensava mais. Uma pessoa que ficou lá no passado.

Eu era ateu. Não acreditava em nada que não pudesse ser visto.
Cheguei a conclusão da inexistencia de Deus quando tinha quize anos, andando com meu cachorro e pensando no amor. "Deus é uma desculpa da auto-destrutiva humanidade para amar." Foi a conclusão que eu cheguei naquela época. Por alguns anos essa era minha teoria e ponto final.
Quando tinha vinte anos conheci meu primeiro mestre espiritual. Um brasileiro que vivia em Cancún e estava na Espanha para dar um "taller de iniciación". A primeira coisa que ele me disse foi: "Seu lugar não é aqui. Seu lugar é no Brasil. Você veio aqui para aprender e levar para lá" Me convidou para um retiro de quatro dias. Falou que seria muito importante para mim. Já tinha ouvido falarem maravilhas do tal "taller de iniciación". Fui ao retiro.

Na época eu vivia num apartamento bem grande em Madrid. E tinha um dos quartos alugados para uma brasileira e seu namorado espanhol. Avisei a eles que passaria alguns dia fora e fui ao retiro.
Cheguei cético como sempre. E sai do retiro uma nova pessoa. Vendo e sentindo o mundo de uma forma totalmente diferente da que tinha em relação a tudo. Nenhuma palavra que eu escreva aqui seria capaz de explicar o que aconteceu naqueles dias. Nenhuma palavra.

Quando voltei para casa não encontrei os "inquilinos", nem eles nem várias coisas. Duas televisões, um computador, um DVD, um GameCube (com aquela obra prima que é "Zelda: Wind Walker"), dois capacetes e algumas roupas. Tinham roubado. Lembro perfeitamente do meu primeiro pensamento ao ver aquilo: "Deus sabe o que faz. A vida vai dar o que ela merece."
Se aquilo tivesse acontecido uma semana antes eu provavelmente teria um ataque daqueles de quebrar tudo que está na frente. Lembro que na época eu estava trabalhando e estudando como um louco. Hiper estressado. Duas semanas antes do "Taller" tivera um crise de nervos que pareciam facadas no meu estomago. Algo horrivel que, espero, nunca mais sentirei.

No dia que deixei Deus entrar na minha vida me levaram um monte de coisas materiais.
Curiosa coincidência.

Noite passada sonhei com a mulher que me roubou. Que estava casada, tinha um filho e se assustava ao me ver.


isso.

16 março 2009

Subi numa árvore.


Hoje fui com um amigo a uma montanha que existe aqui em Nova Iguaçu. De lá pode-se ver toda a cidade se esparramando no horizonte. É uma parque municipal, que apesar de abandonado, ainda tem o seu encanto.
Num momento eu subi numa das árvores.
"Não vou levar ninguém pro hospital não." ele dizia. "Não subo numa árvore desde que era criança." complementou.
"Uma ótima oportunidade então." desafiei.
Ele subiu. Fazia quase vinte anos que ele não subia num galho. Ficou feliz e emocionado. Como um velhinho que redescobre algo de sua tenra infância.

Lembro que uma vez fui assistir "Carmen" de Bizet, en Madrid. Eu e um grande amigo que ficou lá no velho continente. Eram ingressos privilegiados e ficamos na quarta fila. A Carmen ao final da ópera recebeu um ramo de rosas, que jogou ao público, vindo cair no casal que eu tinha ao lado.
"Oie. Me darias una rosa?" perguntei.
"Ten. Llévate dos."
Peguei feliz minhas duas rosas e nos encaminhamos para sair. A arquibancada que estávamos ficava junto aos músicos. Ao passar por uma violinista, parei, agradeci pela maravilhosa música e dei uma rosa pra ela e a outra para a violinista ao seu lado.
"Muchas gracias. Jamás he recebido una rosa por tocar." - "Yo tampoco." disseram.
"Me hace muy feliz saber que he sido el primero en daros una." respondi.
Conversamos alguns minutos. Convidamos elas para sair e tivemos uma noite maravilhosa com as violinistas.

Por que conto isso?
Naquela noite, conversando com meu amigo espanhol, ele me disse algo que terei sempre marcado.
"Danton. Tu destino és cambiar los destinos de las personas."

Esse amigo que subiu na montanha comigo hoje (e consequentemente, na árvore), descobriu muitas coisas e lugares porque eu lhe disse ou levei.
Penso também em tantas ontras pessoas que cruzaram minha vida e para quem fui um fator importante de mudança. Foram tantas, algumas de forma tão profunda.
Penso nos alunos que tive. Nas coisas que conversávamos e descobriamos nas aulas de teatro, e como isso terá mudado suas vidas, como o teatro mudou a minha.

Somos uma grande equação de seres humanos. Nossos atos e decisões são variantes que mudam outras vidas. Seja por uma noite, ou por toda a existência.



isso.

22 janeiro 2009

Primeiro poema


Qual foi meu primeiro poema?
Eu não era assim tão jovem quando o escrevi, teria meus 19 anos quando meu primeiro poema saiu da ponta de uma caneta.
Ah! Agora lembro, os meus primeiros poemas foram os que escrevi no BLOCO BRANCO, um bloco sem pauta que comprei em Portugal para escrever a carta que seria enterrada com meu pai.
Lembro que quando estava no trem Madrid-Lisboa um amigo da escola de teatro me ligou e disse: "Danton, no hay nada que yo pueda decirte en una situación como esta. Solo una cosa que me ayudó mucho cuando perdi a mi padre: escribe." Agradeci o conselho.
Depois de escrever a carta ao meu finado pai, - lembro como se fosse ontem, eu sentado num bar bebendo guanará, escrevendo a carta, chorando sobre ela e as pessoas me olhando - fui andando sem rumo pela cidade de Lisboa. Subi ao ponto mais alto da cidade, um antigo castelo na cume de um morro (Castelo de São Jorge, meu santo protetor) e lá, no meu recente bloco, decidi que seria escritor, nele pus um texto invocando criatividade e talento para minha missão. Arranquei aquela folha do bloco, queimei e joguei-a ao vento ardendo. Queimou inteira com a cidade portuguesa como pano de fundo.

Durante meses escrevi naquele bloco, até que terminasse. Não colocava as ideias em verso, escrevia como se fosse prosa. Muitas folhas escritas depois que eu fui descobrir que aqueles escritos eram poesias com ritmo, rimas e metaforas, mas disfarçadas de prosa. Eu já trovava sem saber.
Talvez meu primeiro poema tenha sido a carta que escrevi a meu pai.



isso.

25 dezembro 2008

E o tempo passa.


Faz exatamente um mês que não escrevo nada aqui no meu blog. O fato de não ter um computador a disposição para quando preciso expressar meus sentimentos dificulta bastante, pois já tive tantas coisas que quis imprimir aqui e ficaram apenas na idéia.

Muito aconteceu nesse mês que passou.

Estou morando numa mansão no centro de Gramado, uma das mais antigas da região. Vivo e trabalho lá com outras vinte pessoas. É como se fosse um Big Brother sem câmeras. Onde cada um é totalmente diferente do outro, e todos têm personalidade bastante marcante (sem contar com o elevado grau de loucura de cada um).

Gramado é como se fosse um planeta que orbita na região serrana do Rio Grande do Sul. Digamos que é um parque temático disfarçado de cidade. É o Natal mais conhecido do país... curioso que logo eu, que sempre ignorei o Natal tenha caido no núcleo de um Natal reconhecido em todo o Brasil.

Fiquei desde Novembro trabalhando todos os dias, de Domingo a Domingo. No principio achei que não viria a ser um problema, mas nos ultimos dias já sentia meu corpo pedindo uma pausa. Obtive frutos bons desse trabalho, já poderei ter uma casa para quando voltar para Porto Alegre e comprar um colchão onde dormir.

Fortaleci laços com pessoas que sei que serão muito importantes para meu futuro a medio e longo prazo.

Mas de todas as coisas que me aconteceram nesse mês que passou, a que mais feliz me deixou foi o fato de eu conhecer o embrião do que será minha futura banda: TAIME CHER.

Reuni com um amigo do trabalho (guitarrista ímpar) e começamos a trabalhar encima de umas músicas que a tempo eu tinha na gaveta. Sairam coisas realmente muito boas. E já temos até um fã club. No dia 22 foi nosso primeiro show, num bar da cidade de Canela (vizinha de Gramado), e lá tinhamos gente cantando conosco, vibrando e gritando. E visualizei o que viria a ser aquele embrião.


Isso.

17 novembro 2008

Hoje


Hoje é um novo dia.
Iniciei o post com essa frase por não ter outra que iniciar. Talvez porque mesmo sendo o final de um dia que passou, hoje continua sendo num novo dia.
Quando eu vim para Porto Alegre, sabia que vinha rumo a uma nova aventura, tinha dentro de mim uma ânsia de algo inusitado, e agora me encontro no olho desse furacão.
Foi algo tão aventura que agora que paro para pensar mais calmamente, vejo que sou realmente um louco correndo atrás das borboletas no campo. Esqueci aquela máxima que diz: "Em lugar de correr atrás das borboletas, melhor plantar flores para que elas venham."
Vim sem ter casa, sem conhecer ninguém, sem ter muito dinheiro (fato esse que já levo de letra, não ter muito dinheiro), abandonando quem me deu tanto amor e carinho... vim cego por uma aventura da qual não me importava as consequencias, apenas a jornada, a adrenalina.
Hoje minha casa (que ainda não tenho) é o porão de um velho edificio no centro da cidade; frio, húmedo e escuro. Minha cama é um sofá onde caibo bem, estando sentado. Meu café da manhã será o meu almoço e daqui a alguns dias nem sei com existirá o almoço.
Arrependido? Jamais. Na verdade ainda gosto dessas loucas aventuras, apesar de estar a cada dia menos fã delas. Já foi tempo que um lençol estirado no chão para mim era leito de plumas.
Já levo uma longa jornada sendo "monge", a cada dia desejo mais o conforto da vida. Penso que uma cama me fará melhor companhia nas minhas noites solitarias.
Uma coisa tenho a agradecer a Deus (agradeço tudo a ele), sempre colocou no meu caminho pessoas dispostas a me ajudar. Obrigado Pai, por dar forças a minhas pernas para correr atrás das borboletas.
Hoje começo a sembrar flores, as borboletas que venham ao meu templo.
isso.

15 novembro 2008

Dez dias


Faz exatos dez dias que não escrevo nada aqui no meu diário do cyberspaço.
Nesses dez dias aconteceram tantas reviravoltas no meu cotididano, muitas coisas que vi e senti das quais gostaria de relatar, mas por falta de uma maquina pessoal acabaram ficando na memória apenas ou em algum dos meus cadernos ( tem um pra sonhos, um pra pensamentos e um para o "muito eu")...
Como nesse exato momento não tenho aquela explosão literaria acontecendo dentro de mim, e nem sei por qual parte poderia começar a contar as coisas que me acontecem agora. Vou postar um poema.. quem sabe mais tarde esteja mais apto a escrever...

Eu gosto sempre de lembrar quando vou apresentar essse poema que o fiz sentado ao lado da estátua de Carlos Drummond de Andrade, que existe em Copacabana. E que no momento que comecei a escreve-lo, dois carros bateram bem na minha frente (batidinha leve básica, mas batida)


Cabeças

Bateu agora nessa cabeça
De cabeça para baixo
Uma vontade de escrever.
Talvez com alguma rima,
Ou melhor vou sem rimar.
Aprendendo com o vasto mundo
Pra encontrar o meu Raimundo,
Entre o crack de dois carros
Que chocam, ou duas bocas.
No estalo de um isqueiro
Acendendo todo teu paiol.
Com o movimento de uns dedos
Entre o mistério de suas pernas
Para que você perca a cabeça.

Bateu agora nessa cabeça
A de cima e a de baixo
Uma loucura de te encontrar.
Talvez com algum medo,
Ou melhor vou sem temer
Procurando na nossa cidade
Um caminho para a felicidade
Entre o ruído de duas línguas
Que molham, ou dois corpos.
Na ignição de um ventre
Acelerando toda minha maquina
Com movimentos dos olhares
Nos revelando ou escondendo
Enquanto perdemos nossas cabeças.



isso