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18 novembro 2011

Fui eu

Uma vez quando eu era criança, por volta de uns 8 anos, fui passar um feriado prolongado na casa de algum amigo da família com outro monte de crianças que nem lembro que eram, pois eramos pouco íntimos.

Eramos aos todo uns 6 meninos com idades similares a minha ou mais novos. Acho que todos eram parentes, menos eu.

Nalgum momento em que ficamos sós em casa porque os adultos foram fazer coisas de adultos, alguém quebrou o botão da descarga.

Quando o adulto chegou: "Quem foi que fez isso? Vai todo mundo ficar sem jogar videogame até que o responsável assuma."
Cabe enfatizar que falar para uma criança que ama videogame, que ela não pode jogar e o videogame ficar ali desligado na frente dela é muita crueldade.

No quarto, numa infantil assembleia extraordinária para que o culpado assumisse, eu sugeri que assumiria a culpa do acontecido, pois eu era o único que não levaria uma surra por ter 'feito' aquilo, e com essa artimanha articulei uma posição privilegiada na divisão do videogame. Fui na sala e disse para adulto: "Fui eu, desculpa."
Rolou lição de moral, sobre como sempre a verdade compensava e essas histórias que os adultos gostam de dizer para as crianças mas não aplicam a si mesmos.

E la foram todos felizes jogar o bendito TopGame.

Até que alguém quebrou alguma outra coisa que não lembro o que. 'Quem foi?', ninguém fala nada. E a mesma historia do vai ficar sem jogar videogame até o culpado aparecer.
Ai alguém me diz: "Vai lá e fala que foi você pra gente poder jogar de novo."
"Eu não. Vou ficar assumindo culpa direto das paradas que eu não fiz?"
Fui na sala e contei a verdade para o adulto. Que antes eu tinha assumido a culpa da descarga só para podermos voltar a jogar videogame.

Depois disso sairam do quarto com alguém assumindo a culpa do novo ocorrido. "E a descarga?" perguntou o adulto. "Foi o Danton" "Ele já me disse que não foi ele."
Então alguem assumiu. "Foi você mesmo ou ta falando só pra jogar?" "Fui eu mesmo." "Então você, por não ter assumido antes e deixar alguem levar a culpa, não vai jogar mais. O resto pode jogar."



isso.

27 junho 2010

Mão de Jimmy Page



Como já comentei, vivo no meio da selva.
Para chegar na "civilização" preciso andar quilometros (Fiz a conta outro dias, ida e volta dá quilometros).
Apesar de ter pouca grana, vivo num dos metros quadrados mais caros do Rio. E quando preciso comprar as coisas domesticas, preciso ir ao Leblon, pois aqui na minha pequena vila não existem mercados e essas coisas do mundo civilizado.
Precisei de viveres cotidianos, me preparei para missão... no último minuto, eu quase desistindo da excursão ao mundo exterior, minha mulher resolve me acompanhar. Começa a se arrumar. "Quero mudar um pouco meu dia. Vou me arrumar para irmos ao mercado" e começa a se vestir, maquiar, provar roupas... eu, em pró da boa convivência não contrariei. Terminou e descemos nosso caminho admirando a Lua sobre as aguas do mar. A cidade lá embaixo brilhando. Descemos, paramos numa banca de jornal. Olhamos revistas.
continuando andando vejo na minha frente, saindo de um restaurante, Jimmy Page. Um senhor com cabelos totalmente branco, que eu só sabia que era o Jimi Page, porque algumas horas antes lera uma noticia sobre ele.
Parei na calçada de frente pra ele que olhava pra rua, disse bem alto: " Jimmy Page!", minha mulher parou sem entender, ele se virou para mim com um sorriso. "Man. Thank you for exist. I love your job.I love you. " - "Thanks." respondeu. E apertei sua mão.
EU APERTEI A MÃO DE JIMMY PAGE!!!
Sai gritando feliz pela rua: "Apertei a mão do Jimmy Page!!" Realmente muito emocionado com isso. Minha mulher perguntava "Quem é Jimmy Page?", não pude conter o riso: "é o maior guitarrista do mundo, meu amor." continuei pulando e andado, estava muito emocionado.
"Mas esse Jimmy Page é de qual banda?" - "É o cara do Led Zeppelin." - "O que? Aaaa. Eu vi o cara do Led Zeppelin." Ela começou a gritar.

Logo, fomos fazer nossas compras domesticas.

isso.

16 maio 2010

Sonhos de criança.


Lá por 1995, nem lembro que idade tinha, eu vi Pulp Fiction. Até então meu filme preferido era O Rei Leão da Disney, e a profissão que eu desejava ser quando adulto era psicólogo.
O classico de Tarantino sacudiu minha cabeça infantil e decidi que gostaria de ser diretor de cinema.
A vida passou, tive tantas profissões que já nem consigo lembra-las. E estava eu tão admitindo que não voltaria a trabalhar com entretenimento quando caio de para-quedas numa produtora de cinema.

De repente. Do dia pra noite eu saio de um emprego num escritório no centro corporativo da cidade, onde meus chefes acreditam que eu sou um pobre coitado feliz com a judaica mixaria que me pagam e vou para no seio de um mercado tão competitivo e difícil de entrar.
Num lugar onde minhas idéias, mais que valorizadas, são necessárias. Onde a cada dia faço coisas novas e sempre coisas novas vão chegando para serem feitas.

Mas quero falar é sobre eu ser diretor de cinema. Depois de quinze anos, bateu na minha porta a oportunidade, não de fazer um curta, mas um longa-metragem. Do qual se verá em breve o resultado.

Um vez, num dia mágico dos muitos que tive quando vivi na Espanha, pude dizer ao Tarantino que ele era o responsavel de eu querer ser diretor de cinema. "Believe in your dream. Watch a lot of movies and read books, books. I see talent in your eyes..." entre outras coisas que me disse e não lembro... mas essa é uma historia para ser contada em outra ocasião.



isso.

09 abril 2010

Realmente Vivo na Selva

As chuvas que caíram e continuam no Rio essa semana já são conhecidas.

Para mim foi uma verdadeira aventura. Subindo para casa enfrentei escadas que mais pareciam cachoeiras. Parei alguns minutos num bar, olhei um programa de celebridades que falavam de uma loira peituda que ganhou um programa de fazenda. Conversei, sobre o tempo, com o solitário dono do bar. Como senti que não pararia, resolvi subir.

Cachoeira acima, muita água mesmo, batendo no joelho, quando cheguei na etapa final, um descampado, o vento quebrou meu guarda-chuva. Com o encharcado que já estava um pouco mais não importaria. E vejo uns 15 metros à frente uma árvore do meu quintal caindo no caminho. "Ih, caralho!"

Como já estava caída com seus galhos fechando passagem pela escada, imaginei que não iria re-cair. Mas mesmo assim preferi dar a volta pelo meio do mato.

Pela noite não dormi com o barulho do vendo nos galhos. Imaginando que poderia cair algum encima da minha cabana moderna no meio da selva.



isso.

11 novembro 2009

A casa iluminada


A casa iluminada.


Ontem houve um grande apagão que afetou mais de dez estados brasileiros, entre eles o que vivo agora, Rio de Janeiro.

Mas devo explicar tudo dentro do contexto que foi minha noite.

Cheguei à casa depois de mais um dia laboral. Alimentei minhas gatas, tomei um banho gelado, coloquei minha camisa branca de São Jorge e fui para Lan House me dedicar as minhas internetices.
Assim que entrei na Lan me assustei, como dentro da loja tem uma luz negra, eu parecia um abajur de São Jorge.

"Eita, tô brilhando!" foi o único que consegui dizer quando todos olharam como se eu fosse uma lua cheia.

Sentei e assim que loguei apagou-se tudo. "É, vou pra casa ler um livro."
No completamente escuro caminho, já que mesmo se o céu estivesse limpo a Lua estava minguante, eu pensava no que seria da humanidade se de repente toda luz eletrica deixasse de existir e que provavelmente as almas humanas voltariam-se para sentimentos sombríos. Tinha que caminhar com cuidado, já que a escuridão só era interrompida pelos farois de alguns carros.

Quando cheguei em frente da minha casa tomei um susto. Tinha luz. Uma tenue luz brilhava na lampada da minha varanda.
"Será que houve um curto na minha casa e eu tirei a luz do bairro todo?" foi meu primeiro pensamento.
Fiquei com receio de entrar, mas entrei. A casa fazia um som de energia eletrica. Desliguei os aparelhos da tomada. Fui ao muro perguntar para minha vizinha se havia luz fraca na casa dela. "Não" foi a resposta. Subi ao meu terraço e olhei para todas as casas em volta. Só eu tinha luz, tudo no mais completo breu.

Escolhi tomar esse acontecimento como uma analogia a um futuro imaginario, onde o mundo cairá em trevas enquanto eu terei luz, mesmo que fraca.



isso.

14 agosto 2009

Tempo veloz

nem pra perceber que já passou metade de um mês.
O dantonico aqui abandonado.
Estive navegando pelo mundo. Lembro que li em algum lugar que viajar também é uma forma de solidão. fui mais uma vez ser solitario pela estrada afora. Sempre que me decepiciono viajo para esquecer, deixar a memoria limpa para poder construir-me de novo e de novo, como uma Fenix de lembranças.
A velocidade das paisagens passando pela janela do onibus ajudam a deixar atrás sonhos e enganos. E brindam novos horizontes e alvoradas.

Gostaria de imprimir aqui algum verso. Mas ando em prosa ultimamente. Não sei fazer versos que não sejam eu.
Creio que vou trabalhar numa canção. Quem sabe não sai algo até o fim da tarde.


isso.

09 julho 2009

Peito alvejado


Em São Paulo moradores de uma favela (gostaria de comentar sobre o termo "favela" algum dia) cercaram duas motos policiais e tiraram na marra a chave da mão de um dos policiais.

Ousadia?

Minutos antes esses mesmos policiais entraram na rua atrás de um motoqueiro, largando o dedo indiscriminadamente, acertando assim o peito de Tainá, uma menina de 8 anos que estava na porta de sua casa.

Todos gritavam por justiça. Reforços foram chamados para resgatar os policiais infanticidas do meio da multidão revoltada. Alguns oficiais tiveram suas fardas rasgadas. A imprenssa como mosca na merda fresca. E depois de algumas horas e muito grito devolveram a chave.
Os culpados provavelmente não serão punidos por esse crime. A menina, morta.

me levou a pensar o seguinte:
Porque precisamos esperar o peito de uma Tainá ser alvejado para nos revoltar contra a autoridade que nos oprime?


isso.

Quando eu tinha 15 anos.


Eu tinha uns 15 anos quando pela primeira vez tive contato com a internet.
Já sabia que existia, havia visto algum PC funcionando no rastejante modem 22Kbps, mas a experiencia de imersão mesmo só conheci quando tive um mega ultra novo e novico Pentium 3, que na época era o mais rápido em tecnologia domestica que existia no mundo. Eu vivia na europa onde o novo e bom é acessivel a todos. A internet estava começando seus primeiros passos serios por lá.
Meu cotidiano era escola 7:00, internet de duas da tarde até 2, 3 da madrugada. Fazia alguns intervalos para comer ou socializar com minha mãe, mas todo esse tempo conectado ou jogando.

Aquela experiencia foi maravilhosa para mim. Lembro que aprendi sobre centenas de coisas na rede, meu acesso a grande biblioteca... que ainda nascia. Foi naquela época que criei o hotmail que uso até hoje.
Quando voltei pra cá, trazia debaixo do braço meu potente pentium 3 (nem lembro o que foi dele), e ainda fui internautico por uns tempos, porém bem menos do que era antes.
Depois abandonei de vez a informatica, e por alguns anos me dediquei ao contato humano, ignorando e negando as maquinas.

Hoje a vida me trouxe ao coração de silicio dos coputadores. Fico na rede mais horas do que ficava quando tinha 15 anos. Esse mundo virtual evoluiu muito desde aquela época. Meu trabalho é navegar nele.

As vezes penso que a rede é um passo para a Unidade da Humanidade.


isso.

10 junho 2009

Míro morreu.




Míro morreu na última madrugada.
Deitado na grama, ao relento, seu corpo sucumbiu a madrugada gelada.
Se eu sentia frío no meu colhão com lençol e teto, ele já não sentia nada, pois por fim livrara-se da carne.

Míro era um pessoa a quem eu dava bom dia quase todas manhãs. Um miserável agregado da mãe de um amigo onde eu me agrego em alguns almoços durante a semana.
A única alegria desse homem, se é que ainda tinha alegria, era beber cachaça.
Na última manhã vivo de Míro ele fedia tanto como se já estivesse morto. Sujo, cagado, bêbado, moribundo.
"Ai meu Deus! Esse Míro fedido desse jeito aqui em casa. Vai acabar morrendo ali sentado." Pelo cheiro que exalava, Míro foi convidado a se retirar. "Toma um real pra beber um pinga Míro." alguém disse para conseguir tira-lo da casa.

Foi a última vez que o viram vivo. No manhã de hoje o encontraram num terreno escondido atrás de um bar. O lugar onde mais gostava de estar.

Posso dizer que me alegro por Míro. Agora ele descança. Já não treme da cabeça aos pés por não ingerir alcool. Já não perambula pedindo centavos para poder beber e fumar. A carne que tanto machucou Míro já não lhe pesa.


isso.

18 maio 2009

Bom dia surpresas.


Ontem cheguei em casa depois de alguns dias fora.
Não sei direito o que aconteceu, foram uma sucessão de festas que não existiam e de repente surgiram, e eu tendo que ir a todas quando o meu maior desejo era ficar em casa para organizar minha vida para a semana seguinte.
Organizar vida?
Que nada. Viva Dionísio!

Acordei hoje pela manhã quando o dia ainda se esticava para tomar o lugar da noite. Coloquei roupa para lavar, cuidei dos animais, toquei uma viola matinal...
"Danton?"
"Quem será às 7:30?" pensei.
Era a irmã da minha mãe, e suas filhas. Uma já adolescente e outra com alguns meses de vida. Peguei logo a bebê no colo. Adoro bebês.
Trocamos meia duzia de palavras...
"Danton. Vou morar nesse quarto que tem vazio aqui, tá?" minha tia lançou.
"Eh... tá."

Tenho que fazer um pequeno parentesis.
Desde bem jovem eu sempre fui um pouco arisco com essa tia. Ela é mal-educada, só fala gritando, é incoveniente e adora fazer brincadeiras sem a menor graça. Só por esses e mais alguns motivos eu sempre evitei-a. Ter ela morando na mesma casa que eu não é uma ideia motivadora, mas se colocaram esse desafio na minha vida, devo levar da melhor forma possivel.

Logo depois dessa noticia meu sócio chegou para sairmos à guerra nossa de cada dia. Enquanto conversavamos o que fariamos ao longo do dia ele recebeu um telefonema. Alguém morreu. Mudança de planos, não sairiamos mais.

O mais divertido é que essa Segunda estava planejada desde Sexta

Ao menos usei o dia para organizar a semana que chega.


isso.

12 maio 2009

Shakespeare, Beethoven, Da Vinci e Jesus Cristo



Hoje acordei com o humor bastante alterado.
Três minutos antes de soar o despertador abri os olhos. Jamais entendi isso que acontece comigo, sempre acordo três minutos antes do despertador. De forma natural. Sem despertador também funciona, já houve vezes que precisei acordar determinada hora e não tinha despertador. Pensava intensamente no ato de acordar na hora desejada, na mosca. Acordo. A cabeça é algo muito curioso... mas voltando ao meu humor.

Sabe aqueles dias que se levanta querendo socar? Nessa energia estava eu pela manhã. Fiquei olhando o céu pela janela, esperei o despertador tocar, desliguei-o e levantei. Quando acendi a luz da cozinha. Pufff, queimou. "Melhor eu respirar mais fundo." Fiz a barba na água quente e fui pra escola.
Diria-se que, estando de mal-humor, enfrentar várias turmas de crianças contemporâneas seria suicidio. Que nada. Me divertiu e relaxou estar com as crianças.
Voltando para casa sinto aquele mal-humor (veja que coloco MAL, com L). Claro, o maldito cigarro. Estou alguns dias sem fumar, é incrivel a altereção de humor que o tabaco pode causar nas pessoas.
Dane-se o cigarro. Fiz meu almoço, comi. Peguei a viola e comecei a pensar na ideia que tive na noite anterior.

Ontem lia alguma coisa em algum lugar da internet, dizendo que Shakespeare é o autor dominio público mais baixado da rede. Pensei que o bardo jamais vira nada tecnologico, e mesmo assim está em milhões de lares do mundo todo... desse embolado de pensamentos surgiu a seguinte canção:


Shakespeare, Beethoven, Da Vinci e Jesus Cristo.

Shakespeare jamais sentiu
o rugido de um motor.
Assim é mais fácil falar
dos misterios do amor.

Beethoven jamais ouviu
um som no computador.
Assim é mais fácil escutar
o que a alma quer compor.

Enquanto uns choram, outros vão e comemoram.
O meu pensamento não é como o seu.
Diga sim a vida, por mais que dificil,
Siga teu sonho, acredite em Deus.
Nunca se esqueça, se faz a cabeça.
A cabeça foi feita para pensar.
Da maçã o gosto, o vício, o poço.
Jamais se entregue antes de lutar.

Da Vinci quem sabe viu
no céu um disco voador.
E logo foi lá desenhar
O que o ET lhe contou.

Jesus Cristo não morreu,
vive em cada coração
Que crê no que ele ensinou
sua menssagem de amor.




isso.

03 maio 2009

Impulso


Jamais soube ou saberei se é virtude, defeito ou caracteristica, mas sou um impulsivo.
Por mais que as pessoas me digam e avisem para ser só mais um pouco comedido, não, tenho que funcionar como fogos de artificio. E em lugar de ter paciência para esperar e ver as coisas acontecerem gradativamente eu acelero o processo.
Muitas das vezes que fui impulsivo, acabei colhendo frutos, mas nem sempre foram os desejados.
Mas se tem uma coisa que me não consigo não fazer é seguir meu coração. Sendo ele uma bomba impulsiva acabo sendo eu também.

Nesses últimos dias fiz duas coisas no impulso do meu coração e da minha intuição. Uma está dando muito certo. Espero que a outra siga o mesmo caminho.
Isso de ser impulsivo lembra um poema que escrevi uma vez num bar lá no Leblon. Estava rolando um encontro com poetas declamando suas poesias. Peguei a caneta do garçom emprestada e escrevi no papel da mesa que rasguei ao final.



Garota do Lebão

Quero ter o prazer de rasgar
Os preconceitos, os olhares que
Inquerem os movimentos nascentes
De um impulso infantil. Meus
Tenros desejos de criança.

Quero gozar a sensação do papel
Sendo chicoteado pela caneta
Do garçom anti-poético, e
Respeitar quem não ama
O aplauso do sádico público.

Quero usar chinelo entre loucos
Disfarçados de intelectualizados
E chegar onde queira com meu
Jeito moleque, suburbano e
Pseudo-desinteressado.

Quero brilhar num céu de
Estrelas de explosões poéticas,
Mas humildes. E servir ao
Dom de ser eu mesmo. Ainda
Que me aconselhem o avesso.



isso.

Efeito dominó


Estava conversando com um amigo que me contou sobre um comentário de um terceiro.
Depois fiquei pensando sobre, e do comentario do terceiro me surgiu uma idéia.
Então falei para esse meu amigo que colocassemos a idéia em prática, não custaria nada e tinhamos tempo livre de qualquer forma.
Fomos então para rua captar clientes para esse serviço que eu acabara de criar. E eles foram aparecendo, as coisas foram surgindo. Num dia não tinhamos nenhuma perspectiva de como ter um dinheirinho a mais, e no outro, sem que nos dessemos conta, tinhamos um empresa.
Agora estamos por ai conseguindo mais clientes, e servindo aos que já ganhamos. Em função disso dei pouca atenção ao blog...

Mas o que queria falar é sobre o efeito dominó. Um cara diz uma coisa, depois outro cara conta pra outro cara a coisa que o primeiro cara diz. Isso serve de ignição um dos caras terem uma ideia que ajuda e muito aos dois caras... tudo muito divertido.


isso.

27 abril 2009

Se a vida fosse um Musical.


Imagine que divertido e surreal seria se a vida fosse um musical.
Nada aconteceria sem uma coreografia, um canto introdutório, um ritmo.
A vida sendo um musical, quando fossemos a uma loja -por exemplo- comprar um sapato, fariamos disso um aria, com todos os vendedores e clientes cantando e dançando o ato de experimentar aquele sapato perfeito visto na vitrine. Tonos, baritonos, sopranos, coro, todos salvando à maravilha de uma coisa cotidiana.
Acordar de manhã seria um duelo de bocejos perfeitamente afinados contra o canto dos pássaros. O café da manhã um ato heróico com uma coreografia de migalhas de pão sendo sequestradas por formigas em Lá Maior.
O melhor seria quando vemos uma pessoa que amamos. Para expressar nosso sentimento representariamos todo um ato de varios minutos até chegar ao beijo esperado, ah, não podemos esquecer do crecendo antes do beijo, muito importante.
Se a vida fosse um musical poderia até parecer um pouco ridiculo, mas seria muito divertido. As coisas seriam mais cerimoniosas, dariam mais valor aos momentos que não damos valor nenhum. E claro, teriamos que nos esforçar mais para entender algumas coisas, já que a linguajem do corpo e da música nem sempre estão de acordo com a retórica.


L’amour est un oiseau rebelle
Que nul ne peut apprivoiser,
Et c’est bien in vain qu’on l’appelle
S’il lui convient de refuser.

Rien n’y fait, menace ou prière.
L’un parle bien, l’autre se tait.
Et c’est l’autre que je préfère.
Il n’a rien dit mais il me plait.

L’amour! L’amour! L’amour! L’amour!

L’amour est enfant de Bohême,
Il n’a jamais jamais connu de loi.
Si tou ne m’aimes pas, je t’aime.
Si je t’aime, prends garde à toi!

Si tou ne m’aimes pas, si tou ne m’aimes pas, je t’aime,
Mais si je t’aime, si je t’aime, prends garde à toi!

L’oiseau que tu croyais surprendere
Battit d’aile et s’envola.
L’amour est loin, tu peux l’attendre.
Tu ne l’attends pas, il est là.

Tout atour de toi, vite vite,
Il vient, s’en va, puis il revient.
Tu crois le tenir, il t’evite.
Tu crois l’eviter, il te tient.

L’amour! L’amour! L’amour! L’amour!

L’amour est enfant de Bohême,
Il n’a jamais jamais connu de loi.
Si tou ne m’aimes pas, je t’aime.
Si je t’aime, prends garde à toi!

Si tou ne m’aimes pas, si tou ne m’aimes pas, je t’aime,
Mais si je t’aime, si je t’aime, prends garde à toi!

Carmen, Bizet


isso.

11 abril 2009

A arte é divina.


Outro dia conversava com uma amiga de longa data, que jamais havia lido nada meu (mesmo porque da ultima vez que tinha me visto eu mal sabia escrever meu nome todo), então dei algumas coisas minhas para ela ler. Depois de ler me perguntou porque todas minhas poesias eram assinadas com "danton" com letra minuscula. "É porque a arte é mais importante que o artista."

Muitas vezes quando eu escrevo, sinto que minha mão é segurada por algo que faz as palavras surgirem. Eu sou como um espectador que olha de fora meu corpo escrevendo coisas. Minha cabeça nada mais é que umr receptor das ideias que estão no ar, e meu corpo um canal para palavras que não me pertencem.
Sempre gostei de pensar que a arte é uma manifestação divina através dos artistas.


isso.

Aquecimento



Faz muito tempo que não sofro o surto literario no qual me encontro agora.
Durante essas duas ultimas semanas venho escrevendo muito, quase desesperadamente (seria o ato de escrever um ato desesperado?)
Lembro que da ultima vez que isso aconteceu eu vivia numa casa gelada e a luz de velas, num dos invernos mais frios que a Espanha já teve. Quando hoje penso, talvez escrevesse para me aquecer. Passava boa parte do dia na biblioteca (lá tinha calefação e muuuuuitos livros) e quando em casa, sempre escrevendo.
Agora escrevo até mais. Já que não tenho tantos livros para alimentar minha fome de palavras. Faz uma semana que estou submergido numa historia que chama-se "A Gaiola", não consigo parar de escreve-la. Durmo e acordo pensando nela. Falta pouco para o desfecho.
Ontem minha mãe a leu.
"Meu filho. Você tem uma cabeça muito doida. Essas coisas saem dai de dentro mesmo?"
De onde sairiam senão?

Estou com frio, quem sabe por isso escreva.



isso.

10 abril 2009

Preguiça ou masoquismo


Confesso,
Sou um escritor preguiçoso. Creio que passo muito do meu tempo ocioso apenas pensando em lugar de estar colocando idéias no papel. Em lugar de estar arrancando da minha cabeça todos esses personagens que sonham tomar forma.
Penso que a “inspiração” pode não vir. Mas quando abaixo a cabeça e começo o trabalho, sempre sai alguma coisa.
E todas elas falam de mim. Passo a me conhecer melhor nas coisas que eu escrevo, tanto quanto andar pelo mundo e perceber as pessoas e historias.
“para quem estou escrevendo?”
Escrevo para mim. Uma coisa que sempre acreditei, é que todos os poemas que fiz, mesmo que inspirados em mulheres, animais ou coisas eram para mim. Tenho todos os meus originais guardados com muito amor. Cadernos que são retratos literários de uma época. Muitos que fui ao longo dessas longas viagens e anos.

Mas comecei falando que era preguiçoso.
Escrever é como um parto. Como qualquer tipo de arte genuína, tem que ser um parto. Diferente disso, desacredito que seja arte.
Um parto dói, mas me sinto masoquista ultimamente.


isso.

Espiral


Existe um estudo de Jung (caso não conheça o Carl, não perca tempo) que se chama "O segredo da flor de ouro". É um estudo sobre um texto milenar chinês que conseguiu sobreviver a brutal ignorância humana. O mais interessante do estudo é o texto chinês na integra, que ficou conhecido no ocidente através de Jung.
Por que falo disso? Eu estava pensando num momento do livro que diz: "Se existe uma única verdade absoluta, essa é: Toda energia se movimenta em circulo."

Os atomos são cíclicos. Os planetas. A alquimia da culinária. O cão que vai deitar. As estações. As ondas de som, rádio, celular, televisão. Até o DNA.
Pensava nisso depois de olhar essa imagem que estava guardada nos meus arquivos. É uma galaxia em espiral.


isso.

08 abril 2009

Novo no velho


- Você já leu a Odisseia de Homero?
- Não.
- Então é nova para você.

As vezes nossa fome por novidades nos deixa insensiveis ao mundo. A fome por possuir e possuir toma conta de nossa vida. Queremos ter coisas, sentimentos, pessoas.

Imagino o olhos do primeiro público da primeira projeção de cinema. Como aquilo deveria parecer fascinante diante dos olhos deles. Outro dia fui assistir uns filmes classicos, era uma oportunidade unica de ver aqueles filmes em tela grande. O primeiro de 1903, logo 1924.. tinha de outras datas. Mas vi apenas os dois primeiros, já que minha amiga não aguentou ficar na sala. Acostumada e viciada em enlatados americanos e velocidade de edição vertiginosa, ficou enjoada com as imagens sem efeitos especiais.

Hoje quando o filme é lançado no cinema. Você pode ir no camelô compra-lo para ver em casa. Já não existe aquela emoção de esperar por alguma coisa, como na minha infância. Onde foi parar o valor da surpresa? E depois que vê o filme nunca mais quer saber dele, é totalmente descartavel. Estava com minha mãe que se queixava de não ter nenhum filme para ver. "Mas você tem mais de cem aqui. Não pode ver de novo um que você gostou?" A ideia lhe pareceu quase absurda.



isso.

07 abril 2009

DNA


Não há lugar onde eu veja mais sabedoria que nos olhos de um bebê.
Nos olhos de uma criança existe a ingenuidade limpa de todas as mentiras que o mundo obriga seus filhos aprenderem e repetirem, como numa boa escola medieval.
Nos olhos de uma criança as respostas não são pensadas e calculadas para surtir o melhor efeito. Simplesmente são.
Uma vez li num livro (gostaria muito de lembrar agora qual): Deus não existe, ele É.
É por isso que as crianças estão mais proximas do divino. Elas simplesmente são, sem desculpas, mentiras ou diplomacias. A verdade não precisa de diplomacia para existir.

Um dos meus mestres uma vez me falou: "No hay nada mejor que estar entre los jovenes. Los jovenes saben de las cosas actuales. Saben todo lo bueno que hay que saber. Y aún están abierto a aprender cosas nuevas. Nada es más triste que ser un 'adulto'. Jamás pierda al niño que aún existe dentro de ti."
Faz umas semanas encontrei uma amiga de minha mãe que não me via desde que eu tinha oito anos de idade. Lembro que ela é uma grande responsável pelo fato de eu gostar de ler. Num momento da nossa conversa ela me disse: "Danton você tá com cara de homem. Mas ainda vejo perfeitamente aquele menino em você." - "Luto bastante para preservar ele." respondi.

Se nascemos com um contato tão direto e puro com Deus, porque o jogam fora ao longo de nosso envelhecimento?
A sabedoria de um bebê é ancestral, está no seu DNA. Não é capaz de ser compreendida com as palavras desse plano carnal, que nada mais são que tendências culturais.
Deus está no nosso DNA.


isso.