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11 julho 2010

O Mistério de Ouro Preto




Estou em Ouro Preto.
Pensei que jamais sentiria essa sensação de me transportar para séculos atrás estando no Brasil.
Estou aqui para a pré-produção do meu primeiro longa-metragem, e explodindo de felicidade ao ver que teremos locações maravilhosas para nossa história de mistério.
Passei o dia subindo e descendo ladeiras, fotografando, imaginando cenas, descobrindo como poderá ser nosso filme... e estou descobrindo que será maravilhoso.

E mais uma cidade para minha lista de Cidades Conhecidas, que fazia tempo não era alimentada.

isso.

11 novembro 2009

A casa iluminada


A casa iluminada.


Ontem houve um grande apagão que afetou mais de dez estados brasileiros, entre eles o que vivo agora, Rio de Janeiro.

Mas devo explicar tudo dentro do contexto que foi minha noite.

Cheguei à casa depois de mais um dia laboral. Alimentei minhas gatas, tomei um banho gelado, coloquei minha camisa branca de São Jorge e fui para Lan House me dedicar as minhas internetices.
Assim que entrei na Lan me assustei, como dentro da loja tem uma luz negra, eu parecia um abajur de São Jorge.

"Eita, tô brilhando!" foi o único que consegui dizer quando todos olharam como se eu fosse uma lua cheia.

Sentei e assim que loguei apagou-se tudo. "É, vou pra casa ler um livro."
No completamente escuro caminho, já que mesmo se o céu estivesse limpo a Lua estava minguante, eu pensava no que seria da humanidade se de repente toda luz eletrica deixasse de existir e que provavelmente as almas humanas voltariam-se para sentimentos sombríos. Tinha que caminhar com cuidado, já que a escuridão só era interrompida pelos farois de alguns carros.

Quando cheguei em frente da minha casa tomei um susto. Tinha luz. Uma tenue luz brilhava na lampada da minha varanda.
"Será que houve um curto na minha casa e eu tirei a luz do bairro todo?" foi meu primeiro pensamento.
Fiquei com receio de entrar, mas entrei. A casa fazia um som de energia eletrica. Desliguei os aparelhos da tomada. Fui ao muro perguntar para minha vizinha se havia luz fraca na casa dela. "Não" foi a resposta. Subi ao meu terraço e olhei para todas as casas em volta. Só eu tinha luz, tudo no mais completo breu.

Escolhi tomar esse acontecimento como uma analogia a um futuro imaginario, onde o mundo cairá em trevas enquanto eu terei luz, mesmo que fraca.



isso.

08 outubro 2009

Tainá Vive


Faz uns meses eu postei sobre uma menina da favela de Higienópolis em São Paulo, que foi alvejada no peito. Na época a noticia que li dizia que ela havia falecido. Faz uns dias eu descobri que a noticia estava errada e na verdade Tainá vive.
Não a conheço e é bem provavel que jamais venha a conhece-la, mas fiquei feliz e eufórico ao saber que seguia viva, que não era apenas mais uma número nas violentas estatisticas da maior cidade do país.
A "morte" da Tainá que eu não conheço, alguns meses atrás, foi paralera ao lento assassinato de uma Thainá que por viver me matava, e que para minha sobrevivência, tive que matar dentro de mim.
Não creio que essa ressureição da Tainá seja uma analogia para a Thainá que matei. Mesmo porque eu já não sou o mesmo que precisou ser um homicida, e ela hoje vive outra vida na qual para ela também sou um falecido.

Mas isso tudo me fez pensar uma coisa. Um peito, mesmo depois de dilacerado e dado como morto, pode voltar a bater.


isso.

02 setembro 2009

Higienopolis


Faz alguns meses eu escrevi sobre Tainá. Uma menina da gigantesca favela de Higienopolis em São Paulo. Tainá tomou um tiro no peito que levou-lhe a vida, o atirador era um policial militar. Naquele dia os moradores cercaram a moto dos policiais, tiraram-lhe as chaves e por pouco não acontece uma guerra.
A guerra aconteceu ontem, como pode-se ver nas noticias.

A policia matou outra menina. Ana era seu nome.

Eu devo dizer que sou a favor dos protestos de ontem. Onibus queimado, pedra contra policiais e tudo isso. Não que eu seja a favor da violencia, sou totalmente contra. Mas acredito que os oprimidos devem fazer o possivel para ser escutados.

Na França, quando o governo anunciou que entraria em vigor uma nova lei que tiraria varios direitos dos jovens, eles foram a rua, queimaram carros, quebraram tudo, jogaram pedra contra a policia. E que aconteceu? A lei não foi assinada.

Aqui no Brasil se os pobres quebram tudo como "animalesco" recurso para ter suas necessidades atendidas (que não entrem no seu bairro matando, acredito, pode ser considerado necessidade)são chamados de vandalos (concordo que são), favelados e tem que ir todo mundo pra cadeia.

Eu sou a favor da rebeldia contra o que nos oprima. Mas para isso acontecer tem que morrer uma Tainá ou uma Ana?


isso.

22 agosto 2009

0,000(120zerosaqui)00001%


Assistia ao documentário "What we don´t know" que fala sobre novos rumos da ciência.

Como todos sabem desde o final da idade média que ciência e a religião se divorciaram litigiosamente aqui no ocidente. Durante esses séculos que passaram, cada um ficou na sua, sempre atacando-se mutuamente.
Para os ateus a ciência é a religião. E é bom que eles comecem a procurar outra, já que a ciência está flertando cada vez mais com a existencia de Deus.

O homem já é capaz de entender ao detalhe o funcionamento da vida, só não resolveu uma questão dessa equação, o porque dela existir. Essa força primordial que é a mesma dentro de uma planta ou ser humano, essa força invisivel e plural chamada Vida ainda é um misterio. Cientistas podem cria-la num laboratorio e ainda assim não conseguem explicar seu porque.

Os novos estudos da Fisica oferecem quase sempre o mesmo resultado. De que há um arquiteto para tudo isso. Que não somos mera evolução baseada num acidente e sim um experimento acompanhado e aprimorado ao longo dos milhares de anos. E que a raça humana pode sim ser uma raça escolhida.

Alegações.
Se qualquer uma das leis da física que regem esse universo fosse alterada 0,000(120zerosaqui)00001% a vida não seria possível. Mau poderiam formar estrelas. Os físicos afirmam que uma calibragem tão perfeita só pode ser obra de um processo de aprimoramento de uma inteligencia que não podemos imaginar.

A perfeita organização do nosso sistema solar para que na Terra exista vida. Diz-se que a vida aqui só é possivel porque os outros planetas nos "ajudam". Venûs nos mantem numa distancia prudente do Sol, Jupiter engole os asteroidos que esfarelariam a Terra, uma lua (que ninguem descobriu ainda como realmente se formou) que nos dá um eixo constante possibilitando estações, etc, etc.
Talvez essa formação do nosso sistema solar seja totalmente proposital e não obra de um caprichoso acaso.

Porque de entre tantas especies que existem no planeta. Apenas o Homo Sapiens foi capaz de articular um sistema de comunicação tão complexo?
Eu adoro pensar na ideia de um simio primitivo ao que lhe ensinam caminhar sobre duas patas. Nossos avós primitivos que aprenderam agricultura, astronomia, arte e religião dos "anjos caídos".


Eu vejo um futuro onde ciência e religião se unirão e a fé será impulso, e não entrave, para grandes descobertas cientificas.

isso.

28 julho 2009

Ladrão de Livros


Meu amor pela literatura começou quando eu estava na primeira serie (que hoje chamam segundo ano). Na biblioteca do colegio onde eu estudava haviam livros da coleção Vaga-Lume, acredito que quase todo mundo conheça, e o primeiro deles que eu li foi "O misterio da ilha" ou "Ilha perdida", não lembro o nome exato.

Então descobri que podia pegar os livros emprestados para ler em casa. E quando fui todo feliz com um livro na mão a bibliotecaria me diz:
"Você não pode levar esse livro. Não é da tua serie."
"Mas eu gosto das historias desses livros."
"Não é da sua serie. É pro ginasio. Os do primario estão naquela estante ali."
"Mas eu não gosto."
"Não tem que gostar de nada. Coloca esse livro onde você achou. Se quiser pega da estante que eu te disse. e rapido que já está na hora de fechar."

Eu tenho uma caracteristica que ja me ajudou e prejudicou muitas vezes. Não tenho respeito nenhum pela autoridade, seja ela qual for. Quando fui colocar o livro de volta na estante, olhei pra velha opressora, ela não me dava atenção. E vapt, livro pra debaixo da camisa. Ali eu me tornei um ladrão de livros.
Cheguei a roubar mais alguns livros naquela escola, até que um dia a bibliotecaria me pegou e alê, coordenação.

"Você tentou roubar o livro da biblioteca Danton?"
"Ela não deixa eu ler os livros que eu gosto."
"Mas esses livros não são pra sua idade. Você tem que ler os livros que a gente manda. E nada justifica você roubar. A partir de hoje você está proibido de entrar na biblioteca do colegio."

Será que foi a proibição que me fez tomar gosto?

Isso me lembra outra historia que fez com que meu responsavel viesse a escola para resolver.
Uma vez a professor fez a seguinte pergunta: "Quando está chuvendo. O sol está no céu?" Minha resposta foi "Sim"... Mas a professora acreditava o contrario. Ela teimava que Não e eu dizia que Sim. "Você vê o Sol quando está chuvendo?" - "Não. Mas eu sei que ele tá lá." - "Quem é a professora aqui?" - "Você, mas você é burra. Tinha que voltar pra escola pra aprender." Nem preciso dizer o que isso causou numa sala de CA (atual primeio ano).


isso.

22 julho 2009

Mohamed


Outro dia estava usando o Skype e de repente pipocou alguem falando "Hello"
Eu como não posso resistir a uma provocação de conversa , e consigo me comunicar em inglês, respondi.
Conheci Mohamed Omara.
Ele vive no Egito, é engenheiro civil, casado, dois filhos, gosta de futebol e cismou que eu tenho que aprender árabe e ensinar-lhe portugues. Para que eu necessito falar árabe?

Mas o que mais me impressionou no Mohamed é o fato de ele dedicar 5 minutos cinco vezes ao dia para orar. E todo muçulmano no mundo inteiro faz isso. Na nossa primeira conversa houve um momento que ele disse: "Give me ten minutes to pray. I´ll be back and we talk more. ok? Do you want that I pray for you too?" Achei tão bonito aquilo.

Os "cristãos" não conseguem entender esse "fanatismo" deles. E eles não conseguem entender a pouca fé dos "cristãos". Eu não consigo entender como as pessoas podem guerrear por causa de algo tão sublime quanto a fé.

E afinal. O que são 25 minutos num dia que tem 1440?


isso.

Novo no Velho II

Descobri uma coisa bem antiga que gostei muito.
Desenhos da década de 1930 da Betty Boop.
Como todo mundo, eu sempre conheci a imagem da Betty, mas nunca tinha visto uma animação sua.
Achei ótimas.
Historias que apesar de surreais são cheias de profundidade e crítica ao modo de vida americano.
E com certeza não são para crianças.
Adoro quando o Velho se faz novo.

ah, descobri também que os primeiros desenhos do Mickey imitavam Betty Boop.

isso.

Negro sobre branco


Faz uns três meses eu estava escrevendo uma historia que contava como um cara sequestra uma cantora e coloca ela dentro de uma gaiola. Era um plano que ele tinha para que as pessoas soubessem do talento dela. No desenvolver da historia, a prisioneira acaba comprando e gostando da absurda ideia, até mais do que ele.
Eu estava muito feliz de desenvolver aquela historia. Os dialogos e situações estavam fluindo maravilhosamente (é incrivel esse negocio de vida propria que a literatura tem), já tinha escrito 4 poesias que seriam as canções... até que o pc deu pau. e eu não tinha back-up desse material (junto com alguns outros de menor importancia)
Fiquei numa seria depressão literaria até semana passada. Não tinha como reescrever o que foi escrito, e por raiva não voltarei a trabalhar nessa historia. Nesse tempo até nasceu algumas canções e poemas, mais por causa da boa musa que eu tinha do que do meu empenho.

Um tabefe da providencia me deu a inspiração necessaria para voltar a escrever e comecei a trabalhar serio numa historia que vem rondando minha cabeça faz quase um ano. Mas sobre essa historia eu não posso falar.


isso.

14 julho 2009

Heavy Metal



Faz tempos eu era um daqueles roqueiros roxos. Só queria saber de guitarra distorcida, riff´s alucinantes, bateria demolidora...
Hoje descobri que já não tenho mais saco pro Heavy Metal e afins (lease punk, grunge, hard, etc). Claro. Não deixo de apreciar um Metallica do "Kill then all", algumas perolas do Pantera. Mas só a nata mesmo... Korn, Incubus, Godsmack, limpbizkit... bandas que faziam parte do meu cotidiano hoje ficam na mesma gaveta que reservo para o Funk.
Tá, assumo. Não me incomodo de ir até o chão quando estou em alguma festa e rola o pancadão, as vezes até me divirto muito com isso... mas acho tão divertido quanto ficar sacudindo as melenas ao som de um idiota berrando um monte de coisas que nem ele entende por estar tão drogado. em alguns casos o funk é até melhor...

ah, o simbolo com os dois dedinho em riste associado ao heavy metal e consequentemente ao capiroto. Na verdade é um mudra milenar usado para afastar o proprio capiroto.

isso.

08 abril 2009

Novo no velho


- Você já leu a Odisseia de Homero?
- Não.
- Então é nova para você.

As vezes nossa fome por novidades nos deixa insensiveis ao mundo. A fome por possuir e possuir toma conta de nossa vida. Queremos ter coisas, sentimentos, pessoas.

Imagino o olhos do primeiro público da primeira projeção de cinema. Como aquilo deveria parecer fascinante diante dos olhos deles. Outro dia fui assistir uns filmes classicos, era uma oportunidade unica de ver aqueles filmes em tela grande. O primeiro de 1903, logo 1924.. tinha de outras datas. Mas vi apenas os dois primeiros, já que minha amiga não aguentou ficar na sala. Acostumada e viciada em enlatados americanos e velocidade de edição vertiginosa, ficou enjoada com as imagens sem efeitos especiais.

Hoje quando o filme é lançado no cinema. Você pode ir no camelô compra-lo para ver em casa. Já não existe aquela emoção de esperar por alguma coisa, como na minha infância. Onde foi parar o valor da surpresa? E depois que vê o filme nunca mais quer saber dele, é totalmente descartavel. Estava com minha mãe que se queixava de não ter nenhum filme para ver. "Mas você tem mais de cem aqui. Não pode ver de novo um que você gostou?" A ideia lhe pareceu quase absurda.



isso.

07 abril 2009

DNA


Não há lugar onde eu veja mais sabedoria que nos olhos de um bebê.
Nos olhos de uma criança existe a ingenuidade limpa de todas as mentiras que o mundo obriga seus filhos aprenderem e repetirem, como numa boa escola medieval.
Nos olhos de uma criança as respostas não são pensadas e calculadas para surtir o melhor efeito. Simplesmente são.
Uma vez li num livro (gostaria muito de lembrar agora qual): Deus não existe, ele É.
É por isso que as crianças estão mais proximas do divino. Elas simplesmente são, sem desculpas, mentiras ou diplomacias. A verdade não precisa de diplomacia para existir.

Um dos meus mestres uma vez me falou: "No hay nada mejor que estar entre los jovenes. Los jovenes saben de las cosas actuales. Saben todo lo bueno que hay que saber. Y aún están abierto a aprender cosas nuevas. Nada es más triste que ser un 'adulto'. Jamás pierda al niño que aún existe dentro de ti."
Faz umas semanas encontrei uma amiga de minha mãe que não me via desde que eu tinha oito anos de idade. Lembro que ela é uma grande responsável pelo fato de eu gostar de ler. Num momento da nossa conversa ela me disse: "Danton você tá com cara de homem. Mas ainda vejo perfeitamente aquele menino em você." - "Luto bastante para preservar ele." respondi.

Se nascemos com um contato tão direto e puro com Deus, porque o jogam fora ao longo de nosso envelhecimento?
A sabedoria de um bebê é ancestral, está no seu DNA. Não é capaz de ser compreendida com as palavras desse plano carnal, que nada mais são que tendências culturais.
Deus está no nosso DNA.


isso.

06 abril 2009

O homem dos doze



Uma vez eu estava em casa. Chamaram no portão e fui atender.
Era um senhor negro interessado em comprar umas telhas velhas que eu tinha lá em casa. Conversamos, combinamos o preço e uns vinte minutos depois ele voltou com um carrinho de mão e seu saudável e enorme filho para lhe ajudar a levar as telhas.
O nome do senhor era Emanuel. Ficamos conversando sobre a necessidade de mudar nosso bairro, tão carente de tudo. Da necessidade de proporcionar algo para os jovens, tirando eles assim do tédio e da consequente entrada no mundo das drogas. Quando percebi que Emanuel tinha doze dedos nas mãos. O mais curioso é que, as pessoas que têm doze dedos têm a mais o mindinho. Emanuel tinha a mais o polegar. Emanuel significa Deus está conosco e indica um ser humano em busca do conhecimento que lhe permitirá tomar as rédeas do seu destino.
Fiquei com um pensamento na cabeça. O homem de doze dedos que se chama Emanuel veio na minhas casa me dar dinheiro.
Seria um sinal?


isso.

Novos tempos

Já pertenço a uma gereção ultrapassada. Fazer o que? Assim é a vida. Um dia você é vanguarda e no outra velha guarda.
Ontem fui a um evento de Rock. Bandas tocando HardCore, Heavy Metal e outros sons turbinados a base de distorções e gritos. Nada de muito especial nisso, concordo. A primeira vista, tudo parecia como na minha "época" de rockeiro. Mas com um olhar nem tão mais profundo via-se tudo tão diferente.
Havia lá um ambiente "tecno" com a monótona música eletronica repetindo-se pela seleção de um DJ duvidoso. Na minha época os rockeiros eram mais conservadores, jamais admitiriam num evento de rock, música eletrônica.
Vi também muitas meninas beijando meninas. Parece que é uma febre que está tomando conta da juventude. Mas afinal, que se pode fazer quando se é jovem que não seja experimentar?

Me pareceu um pouco estranho. Mas fico muito feliz que as coisas comecem a tomar esse rumo. Onde as pessoas podem ser o que elas querem sem medo. E gostar de qualquer tipo de música, ao ponto de mistura-las sem preconceitos.
Viva a nova geração.



isso.

02 abril 2009

Reforma ortográfica


Falou-se muito na tal reforma ortográfica. Que não sei o que da unificação da lingua portuguesa.
Dou minha cara a tapa. Acho tudo isso uma grande babaquice (não digo palhaçada porque respeito muito os palhaços).
A lingua é uma entidade mutante. Não pode ser definida como definitiva, JAMAIS. Onde foi parar o latim? Porque ninguém mais fala aramaico?
Se não fosse a cultura de massa criada na era industrial, Brasil hoje seria vários países (mais vários paises do que já é). E bem provável que os dialetos das diferentes regiões já estariam a caminho de tornarem-se idiomas diferentes.
Se você pegar uma pessoa contemporânea e joga-la num Brasil de duzentos anos atrás, ele vai penar para entender o que dizem aquelas pessoas sujas e quase medievais.
Quando eu visitei o interior de Portugal, não entendia o que aqueles senhores lusitanos estavam falando. E na maior parte do tempo eu fingia que entendia o "português" deles.

Estava pensando em algo ontem.
Eu cresci numa região esquecida pelo estado como muitas outras nessa nação. Com gente muito humilde que talvez nunca tenham lido um livro inteiro. Grande parte deles são analfabetos funcionais, e com a mãozinha do governo na aprovação automática nos colégios públicos, esse número de analfabetos funcionais cresceu consideravelmente.
Hoje a interatividade das pessoas na internet, a criação de perfis e convivência on-line é uma realidade para muitos. Todo peixe quer estar na rede. Os analfabetos (funcionais ou não) também.
Essa parte da população (que não é pouca) está tendo contato com a palavra escrita só agora, através da internet. Porém essa palavra escrita está codificada.
"vc vai ta na net hj?" Agora viaje trinta anos no passado e mostre essa frase pra um ilustrissimo imortal, entenderia alguma coisa?
Daqui a 10 anos. Todos esses analfabetos funcionais de hoje saberão apenas escrever esse português. Não saberão que você não é vc.
Quando essa próxima era da lingua portuguesa chegar, vão fazer outra reforma ortográfica?


isso.

31 março 2009

O tabuleiro II


Continuando a postagem anterior...
No mês de Março eu olhei o tabuleiro. Mais propriamente, os tabuleiros.
E nessa observância cheguei a conclusão que não vou ficar viajando o país agora. Coloquei muitas coisas na balança e senti ela pesando mais em ficar pelas terras cariocas mesmo.
Espero ter aqui a mesma facilidade com trabalhos que tive por aí afora.

Hoje estou vendo o Rio com olhos bem diferentes. Estar fora daqui, mas no mesmo antagônico país, deu-me uma visão muito diferente da minha caótica terra.
Aqui é mesmo a terra do Funk. No pouco tempo que estive fora, foram criados uma enxurada de montagens novas e devassamente criativas.
Também é a terra do protestantismo brasileiro. A baixada fluminense é uma encubadora de crentes. Nada contra ninguém de nenhuma religião, apenas uma abservação.
Outro fator que chama a atenção aqui no Rio é o barulho. Sejam funkeiros, sejam crentes, o povo carioca adora disfrutar de sua música preferida (louvor ou gaiola da greludas) em altissimo e estridente som.
E claro. Esse maravilhoso caos que predomina no Rio. A cidade é como o reflexo de Adamastor contra um gigantesco espelho côncavo depois de uma noite de orgias e bebedeira com Netuno.
Deve ser por isso, quando olhei o tabuleiro daqui e comparei com os de lá. Preferi mover minha peça por aqui mesmo.



isso.

O tabuleiro.


Hoje é o ultimo dia do mês de Março.
Pensei que esse mês poderia postar mais coisas aqui, mas felizmente estive ocupado e infelizmente não tinha um computador disponivel sempre, assim quando vinha na net, apenas para ver minhas messagens.
Posso não ter escrito aqui, mas produzi bastante nesse mês. Continuo na revisão lenta e dolorosa do "A bala mágica de Kennedy" (meu primeiro romance), também escrevi uns contos e ejaculei alguns poemas. Mas o orgulho do papai esse mês é pra uma canção que caiu na minha cabeça numa dessas madrugadas marcianas.

E O

Me rebateu vontade bem louca
de tri-beijar sua boca.
E de roçar-te a pérola rosa
que escondes dentro da ostra

Ser o suporte do pássaro novo
que salta cedo do ninho,
sem conhecer seu próprio destino,
sem ter do vôo o dominio.

E eu que já sei voar.
Misturo umas sementes a versos
e planto em todo lugar.
Mas não aprendi amar.
Espero princesa num conto de fadas
para poder me ensinar.

E O

Me tri-bateu bem louca vontade
te rebeijar toda a tarde.
Roçar a pele no corpo, na boca.
Se amar por todas as partes.

Perpetuar minha lingua afiada
sobre teu ventre moreno.
Nos entregarmos de olhos abertos.
Ser um, ser todos, ser plenos.

Se eu aprender amar.
Me amarro no rabo desse cometa,
te levo desse lugar.
Se não souberes voar.
Segure na minha mão com firmeza
agora vou te ensinar.



isso.

13 março 2009

Mentira


Tenho um amigo que uma vez me disse que meu principal defeito é ser sincero.
Não que eu não saiba mentir. Sei até muito bem segundo as pessoas que já me viram sobre um cenário. Mas eu acredito que atuar e mentir não têm nada em comúm.
Se tem algo que eu realmente detesto é mentira. Não importa o tamanho dela, mentira sempre é mentira. Prefiro perder algo a ter que mentir. E não foi uma única vez que isso aconteceu.
A mentira é uma necessidade dessa sociedade. As pessoas mentem para não 'magoar', ou para 'proteger' ou pelo motivo que seja. E mais curioso é que quando a mentira é descoberta, a dor quase sempre é maior do que seria caso houvesse sinceridade...
Então porque mentem?
Tive uma esposa que dizia sim que eu tinha que mentir. Que não há como ser sincero sempre, sempre. Ela dizia que em determinadas coisas gostaria que eu mentisse a ela. Eu respondia: "Quando você for me perguntar alguma coisa que poderia ser respondida com uma mentira, melhor nem perguntar."


isso.

Vespas e Aranhas



Hoje vi algo maravilhosamente bizarro, que só mesmo a natureza poderia produzir.
Na grade da janela havia algo que parecia uma bola de barro. Olhei de perto e fiquei na dúvida. Parecia um ninho de joão de barro, mas era muito pequeno para isso. Na 'porta' havia algo semelhante a patinhas. Absorvido pela curiosidade, e auxiliado por minha vizinha também curiosa, pegamos uma pinça e puxamos uma patinha. Saiu uma aranha que parecia estar drogada, pois se movia de forma torpe.
"Ah, é um ninho de aranhas. Deixa ai." eu disse.
Há que explicar brevemente algo. Desde menino eu sou fascinado pelas aranhas. Jamais poderia macular o ninho de uma. Mas acabei me enganando.
Algum tempo depois fui olhar novamente o ninho. Havia uma "gigantesca" vespa fechando a entrada. Era muito curioso, pois ela estava "vomitando" areia, ou argila ou seja la o que fosse aquilo. Amo aranhas, mas detesto vespas. Então estava decidido que ia acabar com aquela farra vespal.
Quando derrubei o ninho no chão, se despedaçou e vi dezenas de aranhas, de várias espécies. E várias larvas que se alimentavam das aranhas.
As vespas e aranhas são inimigas mortais. A vespa do "mal" caçava as aranhas para servirem de alimento a sua prole. Me senti um pouco como um assassinos de crianças ao matar todas aquelas jovens vespinhas. Mas como sou amigo das aranhas e inimigo das vespas, consegui superar minha consciência assassina.


isso.

09 março 2009

Linhas distraidas.


Creio que nossas vidas são como linhas que vão se desenrolando de um novelo dentro de uma gigantesca superficie que é o tempo. Estão todos lá, desenrolando-se sem pausa. As vezes nossos novelos se cruzam com outros, se embolam para o bem ou para o contrario que não quero nomear; passam a seguir desenrolando-se paralelos com outros novelos, de outras cores e procedências, outros aromas e texturas.
Tem alguns que acabam em embolamentos significativos para o resto do desenrolar, marcando até o ultimo milimetro de linha. Tem alguns que passam e depois nunca mais são vistos. E tem outros, se encontram de uma forma mais leve, e depois de rodar por muitas planicies diferentes acabam cruzando-se outra vez, quando menos se espera. Seja para que as linhas se encontrem rápido ou para que se embolem em nós apaixonados e cegos.



isso.